Malhação
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anônimo
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Crítica da 20 temporada
4,5
Enviada em 5 de fevereiro de 2025
A vigésima temporada de Malhação, exibida entre 2012 e 2013, marcou um dos momentos mais emblemáticos da longeva série adolescente da TV Globo. Mesmo sem alcançar índices expressivos de audiência, a trama conquistou um espaço especial na memória do público, tornando-se uma das mais cultuadas entre os fãs. Com um elenco carismático, temáticas modernas e uma abordagem mais próxima da realidade dos jovens da década de 2010, essa edição se consolidou como um reflexo fiel da Geração Z, sendo lembrada com nostalgia por aqueles que a acompanharam.

Após algumas temporadas que tentaram inovar sem grande repercussão, a edição de 2012 trouxe uma renovação bem-sucedida ao apostar em uma narrativa mais dinâmica e personagens cativantes. Com autoria de Rosane Svartman e Glória Barreto, a trama abandonou o modelo anterior focado em batalhas entre grupos estudantis e se voltou para dramas individuais, explorando relações familiares, conflitos emocionais e dilemas sociais. O cenário principal, o fictício Colégio Quadrante, funcionava como um microcosmo das inseguranças e desafios típicos da adolescência.

Dentre os protagonistas, destacaram-se Ju (Agatha Moreira), Lia (Alice Wegmann) e Dinho (Guilherme Prates), cujas jornadas envolviam descobertas pessoais e relacionamentos conturbados. A decisão de incluir temas como transtornos alimentares (bulimia), assédio virtual e abandono parental demonstrou a intenção dos roteiristas de dialogar de forma mais próxima com os jovens telespectadores. Essa escolha conferiu uma autenticidade à temporada que não se via há tempos na franquia.

Se há um fator que diferencia essa temporada das demais é a construção dos personagens. Diferentemente de edições anteriores, em que os protagonistas eram retratados de forma mais idealizada, Malhação 2012 apresentou figuras humanas e falhas, tornando-as mais identificáveis. Lia, por exemplo, era rebelde e introspectiva, mas escondia uma grande fragilidade emocional devido à ausência materna. Ju, por sua vez, representava o sonho e a insegurança de uma jovem que desejava ingressar no competitivo mundo da moda.

Dinho, inicialmente retratado como um típico garoto popular e aventureiro, teve sua jornada interrompida precocemente quando seu intérprete, Guilherme Prates, deixou a trama. A saída do ator resultou na entrada de Vitor (Guilherme Leicam), personagem com um passado sombrio e um drama familiar mais denso, trazendo novos conflitos para a história. Esse tipo de mudança no elenco, embora arriscada, ajudou a manter a narrativa dinâmica e imprevisível.

Outros personagens marcantes foram Fatinha (Juliana Paiva) e Orelha (David Lucas). Fatinha, inicialmente vista como uma "periguete", revelou-se uma das personagens mais queridas da temporada, conquistando o público com sua autenticidade e carisma. Seu envolvimento com Bruno (Rodrigo Simas) gerou um dos casais mais icônicos da novela. Já Orelha, o blogueiro encrenqueiro, simbolizava a ascensão da cultura digital e a problemática da exposição excessiva nas redes sociais, algo extremamente relevante na época.

A temporada de 2012 inovou ao tratar de temas que refletiam as mudanças sociais da década. Um dos pontos mais discutidos foi o cyberbullying, ilustrado pelo personagem Orelha e seu blog sensacionalista. A trama também abordou a homofobia e os estereótipos de gênero por meio do personagem Rafa (Rodolfo Valente), um jovem que sofria preconceito por gostar de moda e balé.

Além disso, a questão da violência urbana foi representada pela história de Vitor, que passou meses preso injustamente após ser manipulado pelo próprio irmão, Sal (Pedro Cassiano). A subtrama envolvendo tráfico de drogas e um sequestro evidenciou um tom mais sério e maduro na narrativa, diferenciando essa temporada das anteriores.

Outro aspecto relevante foi a representação da diversidade social e racial. A personagem Rita (Jéssica Ellen), jovem negra e filha de uma cantora famosa, trouxe um novo olhar para a questão da identidade e das dificuldades enfrentadas por filhos de pais ausentes. Sua relação com Bruno demonstrou os desafios do amor jovem em meio a inseguranças e intrigas.

Apesar da qualidade do roteiro e da boa recepção por parte dos fãs, a audiência da temporada não correspondeu às expectativas da TV Globo. Com uma média geral de 14,82 pontos no IBOPE, essa edição registrou uma das menores audiências da história da série até então. A concorrência com outras formas de entretenimento digital e a queda do interesse do público juvenil na TV aberta podem explicar esse fenômeno.

No entanto, mesmo com números relativamente baixos, Malhação 2012 sobreviveu ao tempo e hoje é considerada uma das melhores edições do programa. Seu impacto pode ser medido pelo carinho do público, que frequentemente a cita como uma das mais memoráveis, ao lado da temporada de 2004. Além disso, personagens e cenas dessa fase foram reaproveitados na novela Salve-se Quem Puder (2021), um indicativo de sua relevância cultural.

A vigésima temporada de Malhação conseguiu capturar a essência da juventude do início da década de 2010, tornando-se um retrato fiel da Geração Z da época. Com personagens autênticos, temáticas relevantes e um roteiro bem estruturado, essa edição provou que Malhação ainda tinha fôlego para se reinventar. Embora sua audiência não tenha sido expressiva, seu legado permanece vivo na memória dos fãs, consolidando-a como uma das temporadas mais queridas e marcantes da história do programa.
anônimo
Um visitante
Crítica da 22 temporada
4,5
Enviada em 5 de fevereiro de 2025
A vigésima segunda temporada de Malhação, exibida entre 2014 e 2015, é amplamente reconhecida como uma das mais bem-sucedidas e marcantes da franquia. Em meio a um contexto de revitalização da novela, essa edição conseguiu resgatar o interesse do público jovem ao mesclar elementos clássicos da série com inovações narrativas e temáticas contemporâneas. Escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, a temporada trouxe de volta um dos cenários mais icônicos da trama – a academia de artes marciais –, ao mesmo tempo em que introduziu a Escola de Artes Ribalta como espaço central para as aspirações e desafios dos personagens. Com um elenco carismático, uma abordagem dinâmica e a exploração de temas sociais relevantes, essa fase da novela não apenas reconquistou a audiência perdida, mas também se consolidou como um marco dentro da história da série.

Um dos aspectos mais bem-sucedidos da temporada foi a estrutura narrativa equilibrada entre drama, romance e ação. O enredo principal girava em torno do triângulo amoroso entre Duca (Arthur Aguiar), Bianca (Bruna Hamú) e Karina (Isabella Santoni), com uma trama construída de maneira envolvente e repleta de conflitos emocionais. A rivalidade entre as irmãs Bianca e Karina, impulsionada pelo amor em comum por Duca, foi um dos motores da história, oferecendo ao público momentos de tensão e emoção genuína. Paralelamente, personagens como Pedro (Rafael Vitti) e Sol (Jeniffer Nascimento) trouxeram leveza e comicidade, contrastando com os dilemas mais intensos de outros núcleos. Essa diversidade de tons foi fundamental para prender a atenção dos telespectadores e manter a trama sempre dinâmica.

Outro ponto alto foi a construção dos personagens, que fugiram dos arquétipos simplistas comuns em narrativas juvenis. Karina, por exemplo, começou como uma adolescente rebelde e impulsiva, mas teve um arco de amadurecimento que conquistou o público, especialmente por sua relação com Pedro, que inicialmente era baseada em uma mentira, mas evoluiu para um dos romances mais adorados da temporada. Da mesma forma, Cobra (Felipe Simas), que a princípio era visto como o antagonista impulsivo e violento, revelou camadas mais profundas ao longo da trama, tornando-se um dos personagens mais complexos e cativantes.

Além das relações interpessoais, a temporada também se destacou pela abordagem de temas sociais relevantes, algo que se tornou um diferencial e contribuiu para seu sucesso entre o público jovem. A novela tratou de questões como gravidez na adolescência, lutas clandestinas, preconceito contra dançarinos homens, tricotilomania e câncer de mama, trazendo discussões importantes para um público que muitas vezes não encontrava esses temas abordados de maneira acessível na televisão. O caso de Jade (Anajú Dorigon), por exemplo, que sofria de tricotilomania – um transtorno compulsivo que a levava a arrancar os próprios cabelos –, foi uma inovação dentro da dramaturgia juvenil, pois tratou de um problema pouco discutido na mídia.

Outro destaque foi a representatividade racial e social. A personagem Sol, vivida por Jeniffer Nascimento, foi um marco importante na representatividade negra dentro da novela. Sua trajetória como uma jovem humilde que sonhava em viver da música e enfrentava preconceitos sociais ressoou com muitos telespectadores. O núcleo da Ribalta, em especial, serviu como um espaço para que a diversidade fosse explorada, tanto em termos raciais quanto em relação às diferentes classes sociais representadas na trama.

No campo da audiência, a temporada começou com índices superiores à sua antecessora, demonstrando um interesse inicial promissor do público. Apesar de oscilações ao longo do ano, especialmente durante o horário político, a novela conseguiu recuperar fôlego e alcançou marcas expressivas, chegando a picos de 21,2 pontos em julho de 2015 e consolidando uma média geral de 15,94 pontos – um aumento significativo em relação à temporada anterior. Esse desempenho refletiu o impacto positivo da trama e a aceitação do público.

O sucesso da temporada não se restringiu apenas à audiência, mas também à recepção calorosa dos fãs. Muitos consideram essa fase de Malhação uma das melhores já produzidas, justamente pela combinação de enredo envolvente, personagens bem desenvolvidos e discussões relevantes. O legado da temporada se perpetua até hoje, com sua base de fãs ainda ativa e com personagens que permaneceram na memória do público.

Em suma, a vigésima segunda temporada de Malhação conseguiu reunir todos os elementos necessários para revitalizar a novela e reconectar-se com sua audiência juvenil. Ao equilibrar romance, drama, representatividade e debates sociais, a trama se destacou como uma das mais bem-sucedidas da história da série. Seu impacto vai além dos números de audiência, pois marcou uma geração e consolidou a relevância de Malhação como um espaço de entretenimento e reflexão para os jovens brasileiros.
anônimo
Um visitante
Crítica da 25 temporada
4,5
Enviada em 5 de fevereiro de 2025
A vigésima quinta temporada de Malhação, intitulada Viva a Diferença, exibida entre maio de 2017 e março de 2018, marcou um divisor de águas na história da novela juvenil da TV Globo. Escrita por Cao Hamburger e ambientada pela primeira vez em São Paulo, a temporada se destacou pelo realismo, pela diversidade de temáticas sociais abordadas e pela ousadia em romper com o tradicional modelo narrativo da produção. O êxito da trama foi reconhecido nacional e internacionalmente, culminando na conquista do Emmy Kids Internacional de Melhor Série, consolidando sua posição como uma das temporadas mais impactantes e bem-sucedidas do programa.

Desde sua estreia em 1995, Malhação seguiu um formato que girava em torno de um casal protagonista e um vilão dedicado a separar os dois. A trama frequentemente retratava personagens de classe média e alta no Rio de Janeiro, distantes da realidade da maior parte do público jovem brasileiro. Em Viva a Diferença, essa estrutura foi subvertida de maneira inovadora. A trama não se centrou em um casal romântico, mas sim em um grupo de cinco protagonistas femininas — Keyla, Benê, Lica, Tina e Ellen — que, apesar de suas diferenças sociais e culturais, constroem uma forte amizade ao longo da temporada.

A mudança de ambientação para São Paulo também trouxe um novo dinamismo à novela, permitindo um retrato mais abrangente da juventude brasileira. A escolha da Vila Mariana como cenário principal possibilitou a convivência entre personagens de realidades distintas, como alunos da escola pública Cora Coralina e da elitista escola particular Colégio Grupo, gerando conflitos sociais críveis e pertinentes.

Além disso, o elenco diverso e as diferentes origens das personagens permitiram uma representação mais fiel da sociedade brasileira. Keyla (Gabriela Medvedovski), uma mãe adolescente que luta contra os preconceitos, e Ellen (Heslaine Vieira), uma jovem negra e hacker talentosa que enfrenta racismo em uma escola elitista, são apenas alguns dos exemplos de como a temporada trouxe diversidade e questões urgentes para o centro da narrativa.

Viva a Diferença foi inovadora não apenas no formato, mas principalmente na maneira como abordou temas sociais de forma realista e sem superficialidade. Diferentemente de temporadas anteriores, nas quais os conflitos eram frequentemente romantizados ou resolvidos de maneira simplista, esta temporada apresentou desafios complexos e muitas vezes sem soluções fáceis, refletindo a realidade da juventude brasileira.

Entre os temas abordados, destacam-se a gravidez na adolescência, com a história de Keyla, que precisa lidar com as dificuldades da maternidade jovem; o autismo e o capacitismo, retratados pela trajetória de Benê, uma jovem neurodivergente que busca aceitação; o racismo e a desigualdade social, representados pelos desafios de Ellen ao ingressar em uma escola de elite como bolsista e pelo preconceito enfrentado por Anderson ao namorar Tina; o machismo e o assédio sexual, denunciados através das dificuldades vividas por várias personagens femininas, como K1, que sofre abusos do padrasto; e o feminismo e a diversidade sexual, explorados na história de Lica, que vive um relacionamento com Samantha e enfrenta preconceitos por ser bissexual.

Além disso, a temporada abordou questões de saúde mental, como a automutilação de Clara, que encontra nesse ato uma forma de lidar com a pressão familiar, e a dependência química, vivida por Lica, que passa a consumir álcool e drogas. Outros temas relevantes foram os transtornos alimentares de Keyla, que enfrenta anorexia e bulimia devido à pressão estética, e a luta de Mitsuko contra a leucemia, inserindo o câncer na narrativa.

A recepção do público e da crítica foi extremamente positiva. A audiência média de 20,4 pontos foi a maior das últimas nove temporadas de Malhação, evidenciando o impacto da nova abordagem. Os episódios mais marcantes, como o que retratou a agressão de Edgar contra sua filha Lica, bateram recordes de audiência e geraram grande repercussão.

Além da audiência, a temporada foi amplamente elogiada pela crítica por seu tom realista e por tratar temas complexos de forma respeitosa e aprofundada. A conquista do Emmy Kids Internacional de Melhor Série em 2018 coroou o sucesso da produção e a destacou como um dos projetos mais relevantes da dramaturgia juvenil brasileira.

O legado de Viva a Diferença também se manifestou na continuação da história em As Five (2020), série derivada do Globoplay que acompanhou as cinco protagonistas na fase adulta. A série reafirmou o impacto duradouro da amizade construída entre as personagens e a conexão emocional que o público desenvolveu com elas.

A vigésima quinta temporada de Malhação foi um marco na história da televisão brasileira. Ao romper com fórmulas desgastadas e abraçar a diversidade, o realismo e o compromisso social, Viva a Diferença conquistou uma legião de fãs e elevou o padrão das produções voltadas para o público jovem. Seu sucesso não se deve apenas à qualidade do roteiro e das atuações, mas à relevância dos temas abordados, que dialogam diretamente com as questões vividas pela juventude brasileira.

Ao apostar em protagonistas femininas fortes e em narrativas que refletem a realidade do país, a temporada transcendeu o entretenimento e se tornou um fenômeno cultural e social. Malhação: Viva a Diferença não foi apenas uma novela — foi um reflexo das lutas e sonhos de toda uma geração.