O problema das séries com muitas temporadas, na maioria das vezes levadas pela ganância dos produtores de continuar lucrando com a grande audiência até então, é que precisam criar dramáticos fatos novos a cada episódio. O resultado não costuma ser bom. A 6ª temporada de Outlander beira o ridículo. Claire se torna o espelho da futura madre Teresa de Calcutá com seu olhar sempre complacente e piedoso, jogando por água abaixo a brilhante atuação de Caitriona Balfe nas temporadas anteriores, da mesma maneira que o roteiro se enrola nas próprias pernas e a direção se mostra incapaz de orientar os atores a fim de manter o vigor e a força de cada personagem. Não importa o que diga o livro, ele é apenas uma inspiração na qual a série se baseia, mas não limita a possibilidade de criação de novas abordagens e visões em se tratando de personagens vindas do futuro. A chegada de Tom Christie e família com seu protestantismo radical, foi uma óbvia tragédia anunciada que só fez se sedimentar a cada episódio e as crenças que não cabiam no século 21, de onde vieram Claire, Brianna e Roger, aceitaram passivamente sem ao menos questionar os sucessivos absurdos que dariam um novo significado à própria viagem no tempo e um novo fôlego à série. Em vez disso, a jovem Malva, cuja maldade, também evidente desde a primeira aparição, só estava maturando e esperando uma oportunidade pra se manifestar. E quando ela solta a bomba, desconexa de qualquer realidade plausível com uma acusação mentirosa de fácil comprovação - se a produção quisesse, inserindo, por exemplo, cenas que demonstrassem o veneno existencial que essas religiões, TODAS, provocam com seus dogmas e doutrinas baseadas em crenças limitantes e opressivas cujos argumentos não se sustentam nem mesmo à luz de vela. O que poderia ter sido brilhante, trazendo à tona um debate sobre o papel dessas religiões castradoras e ignorantes, que até os dias de hoje têm influência decisiva nas guerras que se espalham sobre o planeta e na NÃO evolução da humanidade, foi um desastre completo, irritante e nojento. Ficou provado, mais uma vez, de novo, de novo e de novo, que todos os pecados mortais são frutos da mesma árvore: A IGNORÂNCI.