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    Orange Is the New Black traz novas forças e personagens em rota de colisão (Crítica da 6ª temporada)
    Por Laysa Zanetti — 26 de jul. de 2018 às 15:35
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    Popular comédia dramática da Netflix retorna com novos episódios nesta sexta-feira, 27.

    Nota: 3,0 / 5,0

    Texto SEM spoilers!

    Orange Is the New Black tem sido, primariamente, uma série de TV sobre relacionamentos interpessoais. É sobre a forma através da qual o confinamento estreita e transforma relações, e como elas refletem a perspectiva social sobre cada um dos personagens daqueles grupos. Em sua sexta temporada, a série aterrissa em um novo território, literalmente, e traz quase uma repaginada completa da série.

    Após a rebelião da quinta temporada, as detentas foram transferidas para o presídio de segurança máxima de Litchfield. Há uma investigação em curso para definir não apenas quem eram as líderes da rebelião mas identificar quem matou o guarda Desi Piscatella (Brad William Henke). O fogo cruzado de acusações e informações escondidas é o principal motor da primeira parte da temporada, e coloca em evidência uma série de injustiças contra algumas delas especificamente.

    A dinâmica da temporada coloca as personagens em grupos separados. Algumas delas, como Red (Kate Mulgrew), Daya (Dascha Polanco), Mendoza (Selenis Leyva), Ruiz (Jessica Pimentel), Taystee (Danielle Brooks), Nicky (Natasha Lyonne), Cindy (Adrienne C. Moore) e Piper (Taylor Schilling) estão em celas individuais, sendo questionadas a respeito de suas participações nos atos rebeldes. Assim, somos apresentados a versões diferentes do que aconteceu ao fim da quinta temporada, cada uma com suas devidas mentiras e verdades, bem como definições de lados a proteger ou expor. É muito diferente de tudo o que a série apresentou até então nas temporadas anteriores, porque basicamente cada uma está por si.

    Cara Howe/Netflix
    Maria Ruiz

    À medida que elas vão sendo reintroduzidas à ‘população geral’, as personagens vão sendo separadas entre os blocos B, C e D. Dois deles estão em uma eterna disputa, enquanto o outro é uma espécie de zona neutra. Esta guerra entre C e D é o motor da segunda parte da temporada, e toma praticamente o centro de todas as ações. Esta divisão funciona de formas positiva e negativa ao mesmo tempo. Enquanto é boa para fortalecer os relacionamentos entre algumas personagens especificamente — já que não há a necessidade para fazer todas interagirem apenas por convenção —, acaba forçando uma presença exagerada das personagens novatas, o que nem sempre é interessante.

    Há também algumas faltas. Nem todas as personagens foram transferidas para o mesmo centro de detenção, e por isso algumas que eram presenças fortes nas temporadas anteriores simplesmente desaparecem. Talvez elas farão falta, talvez não — há tantas personagens na série que é difícil sentir falta de algumas que não têm um arco narrativo desenvolvido e estão ali primariamente para alívio cômico.

    JoJo Whilden/Netflix
    Daya, do lado oposto ao de Blanca e Mendoza

    Muitas vezes durante a temporada, esta guerra entre os blocos C e D — movida  pelas personagens novas — toma o centro da ação de forma desnecessária. Personagens que apenas estão sendo apresentadas não despertam tanto interesse quanto as que já são cativas. O real centro da temporada, no entanto, é Taystee. Danielle Brooks mais uma vez está fantástica e mostra uma dimensão gigantesca do desenvolvimento psicológico de sua personagem, revelando toda a complexibilidade da mulher negra. Ela se torna um ícone do movimento Black Lives Matter, já que é transformada no "bode expiatório" do que havia acontecido durante a rebelião. Isso acaba colocando um conflito não-explícito entre ela e Black Cindy, que é igualmente doloroso e um aprofundamento bom das duas personagens.

    É estranha, porém, a forma como alguns arcos narrativos são simplesmente abandonados. Há o início de um desenvolvimento da guarda McCollough (Emily Tarver), mas ela é esquecida no meio do caminho. O mesmo acontece com Pennsatucky (Taryn Manning) e Suzanne (Uzo Aduba). Todas são personagens com potencial interessante, mas parece haver uma fadiga de ideias do que fazer com elas — apesar da excelência de ambas as atrizes.

    Jojo Whilden/Netflix
    Cindy e Taystee

    Já em relação a Piper, a personagem está claramente tentando compensar os seus atos das temporadas anteriores. É genuinamente esforçada em trazer algo de bom para a situação em que elas estão. O fato de ela não estar no centro dos acontecimentos funciona de forma positiva para a temporada. O maior destaque é para um diálogo entre ela e Taystee que escancara a questão do privilégio branco de forma simples, mas necessária.

    Por fim, a sexta temporada de Orange Is the New Black se encerra dando a impressão de que estamos caminhando para a conclusão desta história. A temporada não é brilhante, mas se equilibra bem. No geral, demonstra muitos acertos mas também um bom número de frustrações, e se ampara mais no carisma das personagens e das atrizes do que em uma história que se justifique por tantos anos. É inegavelmente contagiante, uma maratona que vale muito a pena ser feita. Mas esta é uma série que tem um claro prazo de validade, e ele precisa ser respeitado.

     
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