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    Rio Heroes: Murilo Rosa, Duda Nagle e o diretor Pablo Uranga falam sobre o violento mundo das lutas clandestinas (Exclusivo)
    Por Bruno Carmelo, com a colaboração de Ana Beatriz Lavagnino — 27 de jan. de 2018 às 08:24

    A série estreia dia 24 de fevereiro na Fox Premium.

    Os fãs de luta conhecem as regras dos torneios de MMA, mas a nova série Rio Heroes pretende mostrar um lado muito mais radical deste esporte.

    A coprodução entre a Mixer Films, NBCUniversal e a Fox Group Network apresenta a história de Jorge Pereira (Murilo Rosa), lutador expulso do MMA, que abre seu próprio torneio clandestino, sem regras e sem árbitros. Em galpões secretos, os competidores lutam em busca de um pouco de dinheiro e novas oportunidades.

    O AdoroCinema conversou com Murilo Rosa, Duda Nagle e o diretor Pablo Uranga. Eles explicam a relação do elenco com a luta, a proximidade da ficção com as competições reais e a violência extrema da série.


    Divulgação
    Murilo Rosa em Rio Heroes

    Murilo Rosa: "Antes de ser ator, eu fui lutador"

    O simpático ator estava muito concentrado durante as filmagens, mas encontrou um tempo para conversar com o AdoroCinema. Murilo Rosa interpreta Jorge Pereira, o protagonista, descrito como "Um personagem que conheceu o sucesso e o fracasso, vitórias e derrotas e acredita na luta como honra. Ao mesmo tempo que é um barril de pólvora, ele é fiel e apaixonado pela esposa. Junto com o Scott, ele monta esse campeonato. Aos poucos a ficha vai caindo e ele percebe que precisa criar um campeonato com pessoas iguais a ele, que também foram expulsas do MMA. Ele começou a reunir só loucos para participar dessa primeira edição, e aí vira um show".

    Ele explica porque este personagem é tão importante em sua carreira: "Isso está na minha vida passada, porque antes de ser ator, eu fui lutador. Disputei dois campeonatos mundiais de taekwondo em 1990. Então me tornei ator e enterrei essa história do taekwondo. Nos últimos seis, sete anos a luta voltou a aparecer, já com a minha carreira estruturada, e comecei a falar de novo disso, porque é um passado que me deu muita satisfação e orgulho. 

    Embora interprete uma figura controversa e extremamente violenta, o ator garante que não tem julgamentos sobre seu personagem: "Eu defendo as atitudes dele e procuro a lógica certa para que elas tenham verdade, entende? Isso é algo muito interessante no trabalho do ator: descobrir tantas possibilidades emocionais no ser humano, entender e mergulhar nisso enquanto intérprete. Ele é um personagem muito verdadeiro e, por incrível que pareça, muito engraçado também, porque ele fala coisas absurdas".


    Divulgação
    Duda Nagle em Rio Heroes (à esquerda)

    Duda Nagle: "Quando fui gravar, a minha lombar estava destruída"

    Ao lado de Jorge Pereira (Murilo Rosa), os espectadores de Rio Heroes vão conhecer Rogerinho. Nas palavras de Duda Nagle, "o meu personagem é o braço direito do Jorge, o aluno prodígio dele. Ele é lutador, mas tem um problema com o pai, que era um super campeão de judô, então o Rogerinho fica receoso de competir, de decepcionar o pai. A válvula de escape dele que é a mulherada: ele não trata a mulher de uma forma empoderada, digamos assim. Ele cuida de tudo assim, mas é meio 171 também".

    Para o ator, esta é a primeira vez interpretando um personagem biográfico. "Também é a primeira vez que eu conheci o meu personagem, então é muito tentador você querer incorporar o máximo de traços dele. Mas a série tem muitas licenças poéticas, o que afeta um pouco essa visão quase documental. Eu vivi esse dilema sobre até que ponto embarcar nessa onda?".

    Duda ressalta os treinos e o esforço físico real diante das câmeras: "Eu já treinei Jiu-jitsu várias vezes ao longo da vida e aí quando terminou minha última novela do SBT eu comecei a treinar com um amigo meu.
    Voltei a treinar Jiu-jitsu regularmente há um ano, e eu treinava Muay-Thai também. Antes de Rio Heroes eu fiz Malhação, quando interpretei um campeão de MMA bem fanfarrão. Aproveitei que já estava treinando bastante e experimentei um pouco de tudo. Claro que eu me empolguei um pouco e quando fui gravar na primeira semana, a minha lombar estava destruída e fiquei tomando um monte de anti-inflamatório, adesivo, gelo, fisioterapia…".


    Pablo Uranga: "Não tenho problema nenhum com sangue"

    Para o diretor Pablo Uranga, a escolha de Murilo Rosa para o papel principal veio rapidamente: "Eu conheço o Murilo há alguns anos. Ele atuou no meu filme Rota de Fuga, e no começo achei que seria difícil ele participar por ser contratado da Rede Globo, mas ele foi liberado para fazer a série. Eu já sabia que ele lutava, conhecia da história dele no Taekwondo. Desde o começo, eu pensava que para fazer a série de forma correta, todos os atores deveriam ser lutadores. O Murilo foi perfeito, porque tem a memória corporal da luta". 

    Como foi a experiência de filmar cinco episódios de uma só vez? "É mais fácil pensar como se fosse um grande longa. No sentido de que você tem a história toda ali na sua frente. Com temporadas maiores é inviável, você tem que ter mais de um diretor obviamente, não tem condição de fazer dessa forma. Esta é a minha primeira série, mas sou louco por séries desde criancinha. Sou um cara que estuda muito, estou o tempo inteiro lendo. Além de ver as séries em si, eu vejo todas as entrevistas de todos os diretores, material extra de DVDs... Com a experiência de já trabalhar no meio, foi um presentão que eu ganhei!".

    O cineasta avisa que a violência vai ser intensa: "Não cresci no meio da luta, mas sempre gostei desse ambiente, de longe. Não tenho problema nenhum com sangue, eu poderia perfeitamente ser um cirurgião. Tive a melhor situação do mundo quando a Fox disse assim: 'Enfia o pé na jaca', quer dizer, não tem limite.
    Então você usa o bom senso e vai até onde acredita que deve ir. A gente foi meio fundo, porque a série é bem sangrenta. As histórias são incríveis, o roteiro é sensacional, os personagens são maravilhosos… A gente sabia que para a série funcionar, a violência tinha que funcionar".

     

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