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    A Vida Secreta dos Casais: Primeiras impressões sobre a mistura de sexo, espionagem e política na nova série da HBO
    Por Bruno Carmelo — 28 de set. de 2017 às 14:55

    Você vai pegar o trem andando.

    Priscila Prade / HBO

    Ninguém pode dizer que a família composta por Bruna Lombardi, o marido Carlos Alberto Riccelli e o filho Kim Riccelli não tem grandes ambições.

    O trio acaba de desenvolver A Vida Secreta dos Casais, uma combinação difícil de gêneros, incluindo terapias de casal, sexo tântrico, corrupção nas altas esferas do governo, espionagem na Internet e as transformações no mundo do jornalismo. Na trama, uma sexóloga (Lombardi) acaba envolvida com a vida de seus pacientes, alguns deles ligados a pessoas poderosas.

    A HBO demonstrou confiança nos criadores ao apostar em personagens que fogem do arquétipo de heróis, vilões ou figuras de fácil delineamento moral. Como em Psi e O Negócio, os tabus são desconstruídos e tratados com naturalidade.

    Priscila Prade / HBO

    O primeiro episódio, apresentado à imprensa, tenta dar conta de todos estes elementos. No entanto, como piloto, o resultado decepciona. Primeiro, porque A Vida Secreta dos Casais não diz muito a que veio: ao invés de apresentar os personagens principais e sugerir seus principais conflitos, o showrunner Kim Riccelli adentra a história em momento bem avançado e a continua, deixando o espectador adivinhar por conta própria os riscos em jogo.

    Consequentemente, não existem casais desenvolvidos em jogo: seria o foco o fotógrafo (Alejandro Claveaux) e a garota loira sem nome? O empresário milionário (Paulo Gorgulho) e sua esposa (Ondina Clais)? A sexóloga Sofia (Bruna Lombardi) com quem mesmo? Tampouco existem vidas secretas, pelo menos por enquanto. Há indícios de que Sofia será investigada pela polícia no futuro, mas não chegamos a nenhum ponto de tensão.

    O problema é que, para nos importarmos com estes personagens, precisamos conhecer mais sobre eles. Quando uma pessoa corre risco de morte, ou quando uma fotógrafa (Letícia Colin) se mostra perturbada e soturna, não temos pistas de seus conflitos internos. Ao invés apresentar os conflitos para o espectador, o piloto da série acontece apesar dele, como se o público fosse intruso de uma história em andamento, ou como se começasse a assistir diretamente na segunda temporada.

    Priscila Prade / HBO

    O modo de filmar também deixa uma impressão pouco convidativa. O erotismo saturado de cores vermelhas, velas aromáticas filmadas através de véus, carícias em câmera lenta e sussurros distantes constitui o clichê máximo de uma sensualidade kitsch e anacrônica. As cenas envolvendo hackers soam ainda menos convincentes. A trilha sonora, com violinos e pianos sedutores no Tantra e percussão impondo ritmo ao suspense tornam-se meramente redundantes, assim como alguns diálogos e narrações em off.

    A Vida Secreta dos Casais tem potencial para melhorar. Existem personagens possivelmente interessantes, além de abordagens francas de temas essenciais à sociedade atual. A comparação entre o poder no sexo e o poder na política também é muito bem-vinda. Talvez a maneira de começar não tenha sido a mais adequada, por frustrar expectativas ao invés de alimentá-las. Mas pode valer a pena acompanhar a trama um pouco mais.

    A série estreia este domingo, dia 1 de outubro, na HBO. A emissora deixará o sinal aberto para que todos possam assistir ao início da trama.

     

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