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    Making a Murderer: Entenda a repercussão do mais recente documentário da Netflix
    Por Laysa Zanetti — 9 de jan. de 2016 às 09:24

    O novo vício do momento.

    Natal é uma época do ano de paz, amor e muita confraternização em família, mas o fim de 2015 vai ser lembrado por muita gente como aquela época em que todos ficaram obcecados com a nova série documental da Netflix, Making a Murderer. Produzido ao longo de dez anos por Laura Ricciardi e Moira Demos, a série acompanha Steven Avery, um americano de Manitowoc, Wisconsin, e sua história real quase que inacreditável.



    Steven Avery ficou preso por 18 anos acusado de um crime de estupro do qual sempre se declarou inocente. Quando finalmente conseguiu provar que não era culpado, graças a um exame de DNA, ele foi solto, virou notícia de TV, processou o Estado e estava prestes a receber uma bela quantia em dinheiro quando tornou-se o principal suspeito do assassinato da jornalista e fotógrafa Teresa Halbach. O resto é série.

    O documentário caiu na boca do povo e virou assunto nas redes sociais. E, desde então, a repercussão tem sido gigantesca, enquanto os fãs da série se revoltam com o que viram e os oficiais retratados reclamam da maneira como foram colocados. Confira os principais eventos do ‘pós-série’.

    1 - Ken Kratz alega que a série omitiu provas importantes da condenação de Steven Avery.

    O promotor responsável pela acusação no julgamento de Steven Avery se prontificou pouco depois de a série ter sido disponibilizada na Netflix, e disse que algumas evidências de suma importância foram deixadas de lado pelas produtoras da série. Segundo Kratz relatou à revista People, Teresa Halbach havia visitado a propriedade de Avery muitas vezes antes e já havia dito ao seu editor estar "assustada" com a figura do homem. De acordo com os relatos, ela pediu para não voltar ao local, mas Avery requisitou à revista que enviasse a mesma jornalista. Além disso, ele teria ligado para ela várias vezes naquele dia antes de a chegada dela no local.


    2 - Anonymous afirma ter evidências que inocentam Steven Avery e seu sobrinho Brendan Dassey.

    Na mesma semana, um perfil no Twitter foi criado por um grupo se identificando como o Anonymous, que alegou ter provas que inocentavam Steven Avery e seu sobrinho, Brendan Dassey das acusações. A página rapidamente ganhou vários seguidores, mas acabou não cumprindo o que prometeu, e foi apagado. Fuén, fuén…

    3 - Produtoras da série vão a público, defendem as evidências exploradas nos episódios e o resultado final.

    Após Ken Kratz não ter medido esforços para ir a público acusando a série de ser errônea, Ricciardi e Demos deram várias entrevistas e defenderam o que fizeram. "Tentamos escolher o que eram as evidências mais fortes que Kratz usou no seu caso. Foi isso que colocamos. As coisas que ele listou como evidências que deixamos de fora são bem menos convincentes que o DNA de Teresa nos restos de uma bala encontrada no quintal dele", afirmou Moira ao The Wrap.

    4 - Ex-jurado acredita que veredito foi armado - e é refutado por outro jurado.

    Em uma outra entrevista, as produtoras contaram que um dos ex-jurados que participou do julgamento ligou para elas após a série e disse acreditar que o veredito foi armado. “Ele disse que eles acreditam que Steven Avery (...) foi armado pelas forças da lei, e que ele merece um novo julgamento, (...) que deve acontecer bem longe de Wisconsin.” Confira no vídeo abaixo:



    Alguns dias depois, porém, um outro jurado, procurou um jornal local e desmentiu a história, disse acreditar nas forças da lei e que não muda a sua opinião: “Steven é mesmo culpado”.

    5 - Público norte-americano faz petição online pedindo que Obama conceda perdão a Avery e Dassey.

    A enorme e incansável repercussão levou o povo a organizar uma petição, pedindo que o presidente Barack Obama conceda o perdão oficial a Avery e Brendan Dassey. A petição reuniu mais de 130 mil assinaturas direcionadas à Casa Branca, que emitiu uma nota explicando não poder interferir no caso, que é um assunto estadual e não federal.

    6 - Xerife de Manitowoc reclama da ‘manipulação’ dos vídeos.

    O Xerife do Condado de Manitowoc, Robert Hermann, também reclamou da série. Ele acusou a produção de ser manipuladora e tirar os fatos da ordem cronológica a fim de favorecer Steven e colocar a polícia em uma posição ruim. Porém, ele afirmou também sequer ter assistido à série. Ou seja…

    7 - Ken Kratz alega estar recebendo ameaças de morte.

    Com cada vez mais pessoas investindo o seu tempo para assistir ao documentário, muita gente acaba levando a situação para o lado pessoal, e o ex Promotor Ken Kratz alegou estar recebendo dezenas e centenas de mensagens diariamente ameaçando a sua vida. “O que é realmente perturbador... é a oportunidade que alguns indivíduos estão aproveitando não apenas para reclamar do veredito, mas apra me atacar pessoalmente”, declarou.

    8 - Série ganha relevância política e social para além da tela: Steven Avery é apenas mais um.

    Ainda assim, enquanto algumas pessoas se debruçam avidamente tentando descobrir qual é a verdade factual sobre o assassinato de Teresa Halbach, Making a Murderer acabou se provando muito mais relevante para a grande figura. A denúncia de perseguição, corrupção policial e extrema burocratização da máquina pública tem alertado o público, neste caso principalmente o norte-americano, de que o tipo de julgamento contraditório e problemático pelo qual Avery passou é muito mais comum do que se imagina.

    9 - Investigação Discovery anuncia documentário para dar sequência a MaM.

    Com muitas perguntas ainda não respondidas, é natural que o caso se estenda ainda mais na mídia e, aproveitando o gancho, o Investigação Discovery anunciou que vai produzir um especial para dar sequência à série. Front Page: The Steven Avery Story vai apresentar narrativas e informações cruciais para o melhor entendimento da história.

    10 - Todo mundo continua sem saber em quem acreditar.

    Podemos passar horas na internet pesquisando, lendo teorias da conspiração e debatendo sobre o caso, Steven Avery, Brendan Dassey, Ken Kratz e o governo do Wisconsin. Mas, convenhamos… quem aí tem mesmo uma opinião concreta sobre o verdadeiro assassino?

     

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