Susana Vieira, 84 anos, sobre sua novela preferida: "Nunca mais vou me esquecer na vida, foi o meu melhor trabalho na televisão"
por Guilherme Rocha

A veterana da televisão acumula novelas de sucesso no currículo, mas uma em específico, escrita por Manoel Carlos, tem um lugar cativo em seu coração.

Aos 84 anos, Susana Vieira segue diversificando sua carreira. Recentemente, ela se aventurou na coapresentação do reality show Herança em Jogo, do Globoplay, e acaba de lançar Escola Susana Vieira de Atuação, primeira produção original da GloboPop, aplicativo de vídeos curtos da TV Globo. Na série de humor vertical, ela interpreta uma professora implacável e exigente, que tenta transformar um grupo de atores iniciantes em grandes estrelas.

E, se na nova produção Susana assume a missão de ensinar os caminhos da atuação, na vida real ela tem muito a ensinar sobre o assunto. Com mais de 60 anos de carreira na televisão, a atriz construiu uma trajetória repleta de personagens memoráveis, como a Branca Letícia, de Por Amor (1997), e a Maria do Carmo, de Senhora do Destino (2005). No entanto, há uma novela que ocupa um lugar especialmente importante em sua vida profissional.

A novela preferida de Susana Vieira

Em diversas entrevistas, Susana Vieira já declarou que sua novela favorita é A Sucessora (1978), escrita por Manoel Carlos. A trama trouxe a atriz no papel de Marina Steen, uma jovem de 20 anos que se casa com o viúvo milionário Roberto Steen, interpretado pelo saudoso Rubens de Falco, e precisa se adaptar a uma nova realidade de luxo e intrigas.

O casamento é marcado pela sombra da primeira esposa de Roberto, Alice (Alessandra Vieira), e pela obsessão em torno de sua memória. Além de viver sob constantes comparações com a "esposa perfeita", Marina enfrenta a pressão da governanta Juliana (Nathalia Timberg), secretamente apaixonada pelo patrão, que faz de tudo para manter viva a lembrança de Alice.

Rubens de Falco e Susana Vieira em A Sucessora TV Globo
Rubens de Falco e Susana Vieira em A Sucessora

Na época, aos 36 anos, a atriz encarou um trabalho que se tornaria inesquecível em sua trajetória. “Se eu não tivesse tido A Sucessora na minha vida, não seria a atriz que eu sou hoje. Aquilo foi uma escola, eu estudava a noite inteira. O texto do Manoel Carlos é dificílimo, mas, ao mesmo tempo, prazeroso. É o trabalho que eu nunca mais vou me esquecer na vida, foi o meu melhor trabalho na televisão”, afirmou ao site do projeto Memória Globo.

Em entrevista ao gshow, há alguns anos, a artista falou sobre o desafio de interpretar uma personagem tão diferente daquelas que estava acostumada a viver na época: uma jovem ingênua e romântica. "A Marina não estava dentro do perfil que eu estava habituada a fazer na TV, o das mulheres atrevidas, mandonas, senhoras dos seus próprios destinos. Sem desfazer de nenhuma outra novela, de nenhum trabalho, eu considero A Sucessora um marco".

Quando eu ficar velhinha e disser 'tenho saudade do meu passado', a primeira coisa que vou rever é A Sucessora

A Sucessora fez história no horário das 18h da Globo e foi vendida para mais de 50 países, o que rendeu a Susana Vieira um convite para atuar na novela mexicana Profesión: Señora, de 1983. Além disso, a química entre os protagonistas ultrapassou os limites da ficção e chegou à vida real, culminando no casamento de Susana Vieira e Rubens de Falco. Os dois chegaram a morar em Portugal por um ano e aproveitaram a lua de mel para viajar pela Europa.

A Sucessora
A Sucessora
Data de lançamento 1978-10-09
Séries : A Sucessora
Com Susana Vieira, Rubens de Falco, Nathália Timberg
Usuários
3,1

"O beijo dos nossos personagens fez com que eu me aproximasse fisicamente dele. Eu acho que confundi o personagem com a pessoa, mas foi a primeira vez. Durante a novela, a gente sentiu tesão, mas não rolou. A gente casou, foi pra Europa e ficou dois anos juntos", revelou Susana em uma conversa no programa Encontro, da TV Globo, em 2023.

Guilherme Rocha
Guilherme Rocha
-Subeditor TV
Fã incondicional de reality shows que poucos admitem assistir, novelas clássicas com vilãs que amamos odiar, além de séries que são o auge do entretenimento despreocupado.
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