Misturando drama pós-apocalíptico, ação e sobrevivência, The Walking Dead: Dead City deu continuidade à história de Maggie (Lauren Cohan) e Negan (Jeffrey Dean Morgan) poucos meses após o fim da série principal. Há duas temporadas, os dois percorrem uma Nova York devastada, ainda marcados pelo trauma da morte de Glenn — um acontecimento que, há pelo menos 16 anos dentro da cronologia da franquia, molda a relação entre eles.
Os novos episódios de The Walking Dead: Dead City promovem um verdadeiro soft reboot da série derivada, tornando este um excelente ponto de entrada para novos espectadores. A seguir, explicamos por que essa mudança de tom foi a melhor decisão para o futuro de Maggie e Negan.
A 3ª temporada de Dead City parece uma série completamente nova
A 1ª temporada de Dead City levou Maggie e Negan ao coração de Nova York, movidos pela fúria e pelo desejo de resgatar Hershel (Logan Kim), combinando horror e ação de forma intensa.
Já a 2ª temporada desacelerou o ritmo para desenvolver uma trama mais ampla envolvendo os conflitos com a Federação de New Babylon e as facções que disputavam o controle da ilha de Manhattan.
Embora tenha aprofundado alguns personagens, essa abordagem também trouxe problemas de ritmo e impacto visual. Em vez de continuar exatamente desse ponto, a 3ª temporada redefine completamente a identidade da série.
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Após a saída do criador Eli Jorne, o veterano de The Walking Dead Seth Hoffman assume o posto de showrunner e transforma Dead City em uma produção praticamente inédita. Em poucos episódios, a nova temporada abandona quase todos os conflitos anteriores, elimina boa parte dos personagens apresentados no spin-off e reinicia a narrativa sob uma nova perspectiva.
A principal mudança acontece logo no início: Maggie e Negan finalmente enterram o machado de guerra e passam a atuar como verdadeiros aliados. Ao lado de novos personagens, como os irmãos Renata (Aimee Garcia) e Luis (Raúl Castillo), além do excêntrico Dillard (Jimmi Simpson), um homem solitário capaz de se comunicar com os zumbis, eles tentam construir uma comunidade estável na ilha de Manhattan.
Temas como esperança, humanidade e reconstrução passam a ocupar o centro da narrativa. Em vez de focar apenas na luta pela sobrevivência, no colapso moral e em grandes vilões, cada episódio apresenta um novo dilema relacionado à criação de uma sociedade capaz de evitar os mesmos erros das antigas comunidades que fracassaram ao longo do universo de The Walking Dead.
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A 3ª temporada também deixa Dead City muito mais divertida
A nova fase também traz uma mudança significativa no tom da série. É estranho, à primeira vista, ver Maggie sorrindo depois de tantos anos consumida pela raiva. Em alguns momentos, ela até demonstra um humor quase sarcástico, como quando observa Negan tentando costurar uma ferida de maneira completamente desajeitada
Para quem já estava cansado da obsessão da personagem por seu antigo inimigo, essa transformação acaba funcionando muito bem. Livre desse ciclo narrativo, Maggie finalmente pode revelar novas facetas de sua personalidade e mostrar suas habilidades como líder.
O mesmo acontece com Hershel. Depois de anos servindo apenas como coadjuvante ou motivação para outras histórias, o personagem ganha mais profundidade. Uma mudança repentina de comportamento — simbolizada por uma reconciliação com a mãe — encerra os conflitos que dominavam sua trajetória na 2ª temporada. A partir daí, a relação entre os dois se torna mais harmoniosa, enquanto Hershel passa a demonstrar interesse em se tornar o médico da comunidade.
Enquanto Maggie e Renata debatem constantemente questões éticas e procuram soluções para o futuro do grupo, Negan assume o papel de elemento imprevisível da história. Quando não está jogando Xbox ou cumprimentando Maggie com seu característico "Margaret!", ele utiliza seus métodos pouco convencionais para resolver os problemas da comunidade.
Boa parte do humor da temporada surge justamente da relação entre Negan e Dillard, um dono de bar excêntrico que passou anos isolado do restante da humanidade. O personagem funciona como um espelho para Negan, obrigando-o a enfrentar seus próprios medos sobre fazer parte de uma comunidade — especialmente alguém com um passado tão violento quanto o dele.
Vale a pena assistir à 3ª temporada de The Walking Dead: Dead City?
Mesmo acompanhando todas as séries de The Walking Dead, nunca considerei as duas primeiras temporadas de Dead City particularmente empolgantes. A 3ª temporada, no entanto, pode mudar completamente essa impressão.
Em vez de apostar em uma narrativa excessivamente arrastada, a série passa a adotar uma estrutura muito mais objetiva, com episódios centrados em dilemas específicos. Ao mesmo tempo, o foco filosófico na construção de uma nova sociedade traz variedade suficiente para manter a história interessante.
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As discussões sobre como criar uma comunidade funcional e como lidar com decisões impossíveis não são exatamente inéditas dentro da franquia. Ainda assim, essa nova abordagem representa um enorme ganho para Dead City, que pode entregar sua melhor temporada até agora, desde que consiga manter esse rumo até o fim.
Visualmente, a fotografia continua sendo um dos pontos mais fracos da série. A imagem segue excessivamente sem vida. Em compensação, a nova temporada volta a explorar melhor os cenários da Nova York pós-apocalíptica, deixando de concentrar a ação apenas em ambientes escuros e fechados. Ainda assim, o spin-off permanece muito distante da criatividade visual apresentada por The Walking Dead: Daryl Dixon.
Quem procura violência extrema, mortes brutais e grandes antagonistas talvez se decepcione. Os próprios zumbis passam a ocupar um papel secundário, funcionando mais como um recurso para geração de energia do que como uma ameaça constante.
Ainda assim, a temporada reserva algumas criaturas memoráveis, como um grotesco zumbi inchado, com visual que lembra os filmes B de terror dos anos 1980, espalhando litros de pus por onde passa.
No fim das contas, a 3ª temporada de The Walking Dead: Dead City prefere olhar para a reconstrução do mundo após 17 anos de apocalipse zumbi, em vez de insistir apenas na destruição. E, depois de tantos anos acompanhando Maggie e Negan, finalmente vê-los construir uma parceria — em vez de alimentar uma rivalidade interminável — é uma das mudanças mais interessantes que a franquia poderia oferecer.
The Walking Dead: Dead City está disponível no Prime Video.