Game of Thrones o eliminou, mas A Casa do Dragão resgatou este elemento-chave dos livros de George R.R. Martin
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Westeros nunca foi apenas sobre dragões, espadas e mortes traumáticas. É também sobre estratégia, símbolos, rituais e pequenas peças se movendo antes que o sangue jorre.

Game of Thrones foi uma das séries mais importantes da televisão moderna, mas também uma das mais debatidas. Durante anos, a produção da HBO transformou Westeros no assunto do momento em todo o mundo, fez meio planeta memorizar nomes como Targaryen, Stark e Lannister, e acabou sendo encerrada com um final que até hoje divide os fãs. Para muitos, o problema não foi apenas como terminou, mas tudo o que se perdeu ao longo do caminho.

A realidade é que a adaptação teve de deixar de fora muitos elementos dos livros de George R.R. Martin. Algumas decisões foram inevitáveis por razões de tempo, orçamento ou ritmo televisivo, e muitas continuam doendo nos leitores. Tramas inteiras, personagens importantes e detalhes ricos daquele universo ficaram de fora de Game of Thrones. Por sorte, A Casa do Dragão encontrou espaço para trazer de volta certos detalhes que pareciam condenados a viver apenas nas páginas.

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House of the Dragon resgatou o Cyvasse

O elemento que House of the Dragon resgatou é o Cyvasse, um jogo de tabuleiro muito conhecido pelos leitores de As Crônicas de Gelo e Fogo. No quinto episódio de sua 3ª temporada, Daeron Targaryen e Ormund Hightower aparecem jogando uma partida, marcando a primeira vez que esse jogo chega às telas dentro da franquia da HBO. Pode parecer um simples detalhe de ambientação, mas no universo de George R.R. Martin quase nada aparece por acaso.

Nos livros, o Cyvasse tem origem em Volantis e se espalhou entre a nobreza das Cidades Livres e de Dorne. Disputado entre duas pessoas, o jogo utiliza peças como dragões, cavalos e um rei, cada uma com funções específicas. Martin nunca definiu regras oficiais completas, mas o jogo costuma ser descrito como uma mistura entre xadrez, Stratego e outros jogos de estratégia militar.

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Um jogo perfeito para a Dança dos Dragões

A inclusão do Cyvasse neste momento em House of the Dragon encaixa-se muito melhor do que parece. A série está retratando a Dança dos Dragões, uma guerra civil na qual cada movimento pode mudar o destino de Westeros. Por aqui, não basta apenas ter dragões: também é preciso saber quando usá-los, a quem se aliar, qual promessa quebrar e qual sacrifício aceitar para não perder tudo.

A cena entre Daeron e Ormund pode ser interpretada como algo mais do que um simples aceno para os fãs mais aficionados. O Cyvasse funciona como uma metáfora da própria guerra: paciência, cálculo, peças se movendo, reis em perigo e dragões capazes de virar o jogo em questão de segundos. Os Verdes e os Negros não estão batalhando apenas com fogo: estão jogando uma partida política na qual todos acreditam ter a melhor estratégia, até que alguém cometa um erro fatal.

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O que Game of Thrones deixou de fora

Game of Thrones foi uma adaptação colossal, mas também uma versão reduzida de um mundo ainda mais amplo. Nos livros, Martin dedica tempo para detalhar costumes, jogos, canções, boatos e minúcias políticas. O Cyvasse entra na categoria daqueles elementos que não são indispensáveis para entender uma batalha, mas fundamentais para compreender como pensa quem move as peças dessas batalhas.

House of The Dragon
House of The Dragon
Data de lançamento 2022-08-21
Séries : House of The Dragon
Com Matt Smith (XI), Emma D'Arcy, Olivia Cooke
Usuários
4,5
Assista na HBO Max com Claro tv+

A série original apostou em uma narrativa mais direta. Algumas peças desse xadrez político foram descartadas para manter o ritmo, deixando de fora nuances que muitos leitores sentiram falta. A Casa do Dragão parece ter outra relação com o material de origem: sabe que os fãs já conhecem as regras básicas de Westeros e pode se dar ao luxo de se deter em referências e detalhes mais específicos.

Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).
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