Confesso que já fazem alguns anos que eu conheci o universo de filmes e novelas sul-coreanas. Por ser dona de um coração mole, sempre foi muito fácil me apegar as narrativas emocionais deles, mas ainda não tinha passado pela experiência de um k-drama extremamente triste que fosse além de um mero triângulo amoroso.
Quando me deparei com Trinta e Nove, um k-drama de 12 episódios, no catálogo da Netflix, a sinopse me levou a acreditar em uma história de três amigas enfrentando a crise dos 40 anos de idade. De cara, achei a ideia revolucionária para o gênero, mas eu não esperava que em troca iria receber uma das lições mais bonitas e dolorosas sobre o que realmente significa viver.
O soco no estômago logo no primeiro episódio de Trinta e Nove na Netflix
JTBC / Lotte Entertainment
Para mim, uma pessoa que gosta do lado melancólico da vida, foi uma grande surpresa conhecer Trinta e Nove. Não se engane, ele ainda possui alguns elementos padrões dos doramas, como um triângulo amoroso e as edições típicas, mas quando Kim Sang-ho resolveu tirar essa história do papel, sem dúvidas havia a intenção de algo maior.
Não posso falar nada no nome dele, mas pela minha parte, garanto que foram precisas algumas conversas com a minha psicóloga. Logo de cara, no primeiro episódio, temos acesso a um momento divertido de Jeong Chan-young (Jeon Mi-Do), Cha Mi-jo (Ye-jin Son) e Jang Joo-hee (Ji-Hyung Kim), três amigas que se conheceram a mais de 20 anos.
JTBC / Lotte Entertainment
De repente, a narração feita pela personagem Cha Mi-jo toma um rumo diferente, e o assunto funeral entra em cena. O drama não demora muito para mostrar qual seria o verdadeiro caminho a ser seguido pela história, já que em pouco tempo podemos observar os personagens, que mais tarde entenderemos que seriam esses os pares românticos das protagonistas, em um velório.
Assim, somos tomados por um sentimento bem diferente. Nessa parte, eles ainda não contam para o público qual das três teria se despedido da vida aos 39 anos, mas a sensação de imaginar o ciclo da vida indo por outro lado e perder um amigo tão querido antes da velhice parece ruim em qualquer cenário.
Trinta e Nove ensina sobre o lado mais profundo dos relacionamentos
JTBC / Lotte Entertainment
Nesse texto, apesar de já ter revelado um fator determinante dos episódios, não quero contar a história totalmente, pois acredito na importância de cada um assistir aos episódios vestindo os seus próprios óculos de vivências, crenças e culturas para uma melhor compreensão dos fatos.
Por mais que eu tenha algumas críticas ao roteiro, acredito fortemente na ideia de que uma protagonista específica é induzida ao público para confundir e não deixar o final tão escancarado. Além do tema morte, a série se destaca por abordar assuntos como adoção, prostituição e misoginia.
No decorrer dos episódios, descobrimos qual seria a personagem a morrer, mas ainda assim existe algo dentro de nós que confia em um final diferente. Assistir as despedidas, sentir raiva de um destino capaz de castigar e ver o arrependimento de quem ficou nós tira da zona de conforto e leva para um lado pouco explorado, pelo menos pela sociedade ocidental.
Talvez, para mim, tenha sido um pouco mais sensível e surpreendente pelo fato de também ter perdido um amigo jovem e querido a pouquíssimo tempo. No entanto, é bonito perceber que a vida, por mais que possua sua finitude, entrega em nossas mãos a chance de aproveitar cada momento.
Em Trinta e Nove, pude relembrar que essa é uma experiência única, tanto para mim quanto para os outros. Assim, fui capaz de refletir sobre meus relacionamentos como um todo, indo desde amizades, passando pela família e chegando até mesmo em relacionamentos amorosos.