No Brasil, muitas novelas gringas fizeram bastante sucesso: Maria do Bairro, Café com Aroma de Mulher, Rubi... Mas apenas uma conseguiu entrar para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, como a mais bem-sucedida de todos os tempos. Ela foi exibida em mais de 180 países, dublada em 25 idiomas e ganhou cerca de 28 adaptações ao redor do mundo.
Betty, a Feia estreou na televisão colombiana em 1999 e encerrou sua trajetória dois anos depois, com nada menos que 335 episódios. No Brasil, a trama foi exibida na RedeTV! pela primeira vez entre 2002 e 2003, após a então novata emissora adquirir os direitos da obra por 3 milhões de dólares, em uma disputa com a TV Globo e o SBT.
O multiverso das feias: Conheça as adaptações internacionais que expandiram o legado de Betty, A Feia pelo mundo“O sucesso de Betty, a Feia na Colômbia não foi apenas um sucesso televisivo; foi um fenômeno social. A devoção foi tão intensa que as estações de rádio transmitiam o áudio ao vivo para aqueles que não conseguiam chegar em casa a tempo da exibição”, explicou Carlos Ochoa, apresentador colombiano e especialista em novelas, em entrevista ao site SensaCine.
"Ninguém acreditava nela; era uma produção de baixo orçamento e alto risco que, contra todas as expectativas, acabou esmagando a concorrência. O fenômeno permeou todos os níveis da sociedade: dos debates políticos aos sermões de domingo, todos falavam sobre Ecomoda [...] Mas o verdadeiro cerne da conversa nacional era uma coisa: a transformação dramática de Betty. O país inteiro prendeu a respiração, por um fio, para ver se sua heroína finalmente se livraria de sua aparência ou se a mudança seria algo muito mais profundo", continuou Carlos.
O impacto de Betty, A Feia foi sentido nas ruas: das bonecas e óculos artesanais vendidos em cada esquina ao fenômeno de mulheres em todo o mundo adotando sua estética e modo de falar
Ochoa vivenciou em primeira mão o ritmo frenético do elenco e da equipe da telenovela colombiana. "Eu mesma vivi essa loucura como figurante em Bogotá, onde testemunhei o caos dos bastidores. Fernando Gaitán [autor de Betty, a Feia] entregava os roteiros 'quentes'; literalmente, os episódios eram filmados no mesmo dia em que iam ao ar", revelou.
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"Como não havia internet, os roteiros chegavam por fax e os atores recebiam o papel ainda quente. A urgência era tanta que, às vezes, eles tinham que colar as páginas no chão para ler suas falas durante as filmagens. Sob a direção de Mario Rivero, os atores tinham a liberdade de improvisar e adicionar suas próprias piadas ao roteiro, transformando aquele caos criativo na linguagem que cativou toda uma sociedade", concluiu o especialista.
A telenovela que todos já viram
Todo mundo conhece a história de Betty, a Feia: uma jovem economista extremamente inteligente, mas considerada fora dos padrões de beleza, consegue emprego como secretária em uma empresa de moda, a Ecomodas, e acaba enfrentando o preconceito por causa da própria aparência. Apesar do talento, Betty acredita que não pode aspirar a cargos maiores justamente por não se encaixar nos padrões estéticos valorizados pela sociedade.
A personagem inesquecível foi interpretada pela estrela colombiana Ana María Orozco, uma atriz muito distante da imagem de “feia” apresentada na novela. Mas a caracterização fez toda a diferença: aparelho ortodôntico, franja desajeitada, óculos marcantes, roupas ultrapassadas e até um leve contorno de bigode ajudaram a construir o visual icônico da protagonista.
Em entrevista ao jornal La Opinión, Orozco declarou: "Não esperava que a série fizesse tanto sucesso fora do meu país; acho que contribui para valorizar as mulheres por suas qualidades. Muitas mulheres 'feias' se sentem justificadas; seu momento finalmente chegou."
Atualmente, Betty, a Feia pode ser assistida no Prime Video.
*Conteúdo Global do AdoroCinema