O criador de The Boys admite que a série quis se adiantar às eleições dos EUA: "Queríamos especular sobre como seria o autoritarismo americano"
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Quem dera houvesse mais margem de erro. Em sua 5ª temporada, The Boys segue como um reflexo assustador da política nos Estados Unidos.

The Boys nunca foi apenas uma série de super-heróis. Desde o início, a ficção criada por Eric Kripke funcionou como uma sátira afiada da política, da mídia e da cultura contemporânea, usando personagens como o Capitão Pátria (Antony Starr) como um reflexo incômodo e reconhecível de figuras reais.

The Boys
The Boys
Data de lançamento 2019-07-26
Séries : The Boys
Com Karl Urban, Jack Quaid, Antony Starr
Usuários
4,5
Assista agora no Prime Video

A série construiu sua identidade precisamente nesse equilíbrio entre o exagerado e o verossímil, recriando versões super-heroicas de polêmicas do mundo real e a 5ª temporada não fica para trás, fazendo com que o Capitão Pátria assuma o controle dos Estados Unidos.

The Boys reagindo à realidade

Diferentemente das temporadas anteriores, onde os roteiristas podiam se inspirar diretamente na atualidade, a quinta temporada representou uma mudança importante no processo criativo da série. O próprio Eric Kripke explicou:

"Em todas as temporadas anteriores, nós simplesmente reagíamos ao que estava acontecendo nas notícias. Mas desta vez foi a primeira vez que não tínhamos certeza de como as coisas iriam se desenrolar"

Amazon Prime Video

Isso obrigou a equipe a se adiantar aos acontecimentos, construindo uma história baseada mais na especulação do que em fatos concretos. E, surpreendentemente, muitas dessas ideias acabaram se parecendo demais com a realidade, reforçando o caráter inquietante da série.

A trajetória de The Boys sempre foi marcada por sua capacidade de adaptação. Já na primeira temporada, o enredo de Luz-Estrela foi reescrito para se conectar com o movimento #MeToo, transformando sua história em um símbolo dentro da série e demonstrando como a ficção podia dialogar diretamente com o contexto social.

Algo semelhante ocorreu com personagens como Victoria Neuman (Claudia Doumit), uma reinterpretação política que brincava com as expectativas do público para lançar uma mensagem clara: não confiar cegamente em nenhum discurso, venha de onde vier. Esse tipo de decisão consolidou a série como uma sátira incômoda, mas muito consciente do seu tempo.

Amazon Prime Video

No entanto, para esta nova etapa, o desafio era diferente. Não se tratava mais de refletir o presente, mas de imaginar o futuro imediato. E, segundo Kripke, essa aposta se mostrou mais certeira do que o esperado:

"Tivemos a interessante tarefa de especular sobre como seria o autoritarismo americano, com a genuína — e, em retrospectiva, ingênua — esperança de que as pessoas vissem e dissessem: 'Ainda bem que nos salvamos!'. E acontece que fomos atingidos em cheio. E, honestamente, tem sido bastante preocupante ver quantas das nossas ideias, essas especulações, já se tornaram realidade. O que não é nada bom, então meu spoiler é: As coisas não estão nada bem."

No final, quer queira ou não, o resultado é uma série que já não só satiriza a realidade, mas parece estar um passo à frente. E é aí que reside precisamente o mais inquietante de The Boys, que busca se despedir em grande estilo.

facebook Tweet
Links relacionados