A 2ª temporada de The Pitt não dá trégua e continua confirmando que não há atualmente na televisão um drama médico tão honesto e tão brutalmente próximo da realidade quanto este.
The Pitt continua brilhando
A série criada por R. Scott Gemmill continua brilhando no essencial, na empatia, no rigor médico, e em seus personagens que carregam o peso emocional do trabalho na saúde, mas há uma sensação estranha pairando no ar: por enquanto, ela não nos destruiu por dentro como fez a 1ª temporada. E isso, em uma série que transformou o sofrimento realista em sua marca registrada, gera uma inquietação difícil de ignorar à medida que os episódios passam.
HBO Max
Estão nos preparando para algo?
Desde seus primeiros episódios, The Pitt deixou claro que não seria um drama médico fácil. A série nos atingiu forte e sem anestesia, lembrando-nos que em uma sala de emergência as tragédias não esperam. Casos como o do adolescente internado após uma overdose ou a despedida de um paciente conectado ao suporte vital estabeleceram um tom emocional duríssimo desde o início. A série não só mostrava a morte, mas também o que ela provoca naqueles que ficam, e isso a transformou em uma experiência muito potente e também exaustiva.
A 2ª temporada não abandonou a tragédia, mas parece ter diminuído o volume do golpe. Há histórias difíceis, como pacientes que carregam traumas reais ou médicos enfrentando perdas inevitáveis, mas nenhuma ainda atingiu o nível de dilaceramento emocional consecutivo que definiu os primeiros compassos da série. E isso é estranho, porque, embora seja reconfortante ver os personagens sofrendo um pouco menos, também desperta a suspeita de que a série está guardando o pior para mais tarde.
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Em termos de fidelidade ao mundo real, The Pitt continua exemplar. A série mantém aquele equilíbrio tão difícil entre competência profissional, humanidade e caos hospitalar. No entanto, ao espaçar as grandes tragédias, o impacto emocional se dilui um pouco. Não é que a série tenha perdido força, mas parece estar administrando a dor de outra maneira. E quando uma ficção tão intensa decide dosar sua crueza, é inevitável perguntar se está sendo mais compassiva conosco como espectadores ou se está preparando um golpe ainda mais devastador.
Por outro lado, há algo que paira sobre esta temporada como uma nuvem negra e tem a ver com a bebê Jane Doe. Desde que ela apareceu nos trailers, muitos de nós sentimos aquele pânico antecipado que só uma série como The Pitt sabe provocar. O fato de que, por enquanto, a história do bebê se mantenha em uma zona de relativa calma só aumenta a tensão. No universo da série, quando algo parece muito tranquilo, quase sempre é um mau sinal.
Tudo indica que a 2ª temporada de The Pitt não perdeu sua capacidade de nos devastar e que simplesmente mudou o ritmo. Talvez os roteiristas estejam sendo mais cautelosos após a dureza inicial da série, ou talvez estejam construindo uma montanha-russa mais lenta para que a queda seja ainda mais brutal. Seja como for, está claro que o golpe final ainda não chegou. E espero que deixem esse pobre bebê em paz.