Muitas produções são marcadas por tragédias nos bastidores. Esse é o caso de O Clone (2001) que, além de sua trama cativante, é lembrada pela trágica morte de um apresentador que realizou seu último desejo em uma cena que ficou marcada na história.
Na novela, o Bar da Jura, personagem de Solange Couto, era o cenário onde ocorriam a maior parte das participações especiais e confraternizações entre os personagens. Foi lá, inclusive que Osvaldo Sargentelli viu um grande pedido tornar-se realidade e, após tanta emoção, teve uma partida repentina.
Quem foi Osvaldo Sargentelli?
Osvaldo Sargentelli começou a carreira no rádio no fim dos anos 1940 e depois ganhou destaque na televisão, no comando de atrações como O Preto no branco, da extinta TV Tupi, Vox Populi, da TV Cultura, e A Maravilhosa Música Brasileira, do SBT. Nos anos 70, ele abriu duas casas noturnas, onde tinham os shows de suas "mulatas", um grupo de dançarinas. Foi em um destes grupos que Solange Couto iniciou sua carreira como dançarina na época, pôde ganhar notoriedade e uma carreira na televisão.
TV Globo
Devido a esta amizade, em abril de 2002, quando a atriz já estava consolidada na TV, vivendo a personagem Dona Jura, Osvaldo fez um pedido especial em forma de bilhete:
“Querida Solange, que tal o seu velho sargento indo visitar o bar da Dona Jura? Que presentão você me daria, hein? Seu paizão, Osvaldo Sargentelli”, revelou a atriz em entrevista à Folha de S. Paulo.
Da alegria à tragédia
Ele teve seu desejo realizado em um episódio memorável, repleto de muita alegria, música e risadas no Bar da Dona Jura. No entanto, Osvaldo ficou tão feliz e emocionado ao reencontrar Solange durante as gravações que, poucas horas depois começou a se sentir mal e foi socorrido dentro dos Estúdios Globo.
Há 10 anos, ator de Terra Nostra morreu em tragédia com escada rolante: Ele foi um dos rostos mais queridos das novelas!O famoso foi encaminhado às pressas para um hospital no Rio de Janeiro, onde chegou em estado de coma. Apesar de todos os esforços, ele faleceu menos de 24 horas depois, vítima de infarto agudo do miocárdio, aos 78 anos de idade.
"Sabe como me sinto? Feliz por ter realizado seu último desejo. Ele sempre me dizia que queria morrer no palco, trabalhando, ou num botequim tocando samba numa caixa de fósforo, cercado de mulatas e de amigos", afirmou Solange Couto.
"Ele estava trabalhando na mesa de um bar. Era cenográfico, mas era um bar [o da dona Jura]. E lá estavam seus amigos, como o Roberto Bonfim [o Edvaldo, na novela], eu e outras mulatas", completou.
Na época, ele apresentava o programa A Verdade, na então TVE (atual, TV Brasil) e, na última edição antes de sua morte, entrevistou a si mesmo – algo tão icônico quanto ele costumava ser! "Sargentelli representou pelo menos 75% de tudo o que eu aprendi profissionalmente. É muito bom ter uma lembrança como a dele no meu coração e no meu currículo", lamentou Solange.