Admito que às vezes tenho dificuldade em assistir a uma série produzida fora dos padrões habituais, mas fui surpreendida por este poderoso thriller coreano.
Baseado no webtoon de mesmo nome, O Jogo da Pirâmide nos mergulha no cotidiano de uma turma de ensino médio só para meninas. Uma nova aluna chega e, até aqui, tudo corre normalmente – exceto que, desde o início, você percebe uma atmosfera tensa, rarefeita e, digamos, excessivamente passivo-agressiva.
Bullying de pirâmide
Depois de testemunhar uma colega de classe ser espancada, Su-ji (Kim Jiyeon) descobre que sua turma está pregando uma peça nelas, com um sistema no qual quem não recebe um único voto ganha nota F, permitindo que todas as outras façam o que quiserem com ela. Tudo isso é orquestrado por Ha-Rin (Jang Da-a), a filha influente e manipuladora do presidente da escola.
Paramount+
Claro, executar um conceito como esse de forma realista é complicado. E aqui está o espectador, que deve aceitar o mundo que se constrói em torno dele. Um de pais mais preocupados com as notas das filhas do que com o bem-estar delas (com exceções, é claro), alguns até francamente abusivos; de professores coniventes que preferem não notar a causar um escândalo que minaria o prestígio da escola; de indivíduos ricos e elitistas tentando manter seus negócios obscuros em segredo.
No entanto, embora esses elementos possam parecer um pouco implausíveis (pelo menos na escala apresentada), eles refletem algumas das controvérsias em torno das escolas de ensino médio coreanas. Competitividade exagerada (pelo menos aos olhos europeus), certo autoritarismo entre professores e bullying são parte integrante de um sistema educacional que, segundo muitos, precisa ser reformulado.
O roteiro navega por dois caminhos. Por um lado, a proposta de bullying sistemático é a ponta de lança para um pequeno estudo sociológico nesse microcosmo; por outro, tem a alma de um thriller adolescente cheio de reviravoltas, com a dinâmica entre Su-ji, determinada a acabar com o jogo, e Ha-Rin, que fará de tudo para manter sua sociedade de casta perfeita.
Acredito que onde O Jogo da Pirâmide falha um pouco é na estrutura. Apoiado pela direção sólida de Park So-yeon, a distribuição dos episódios parece um pouco irregular, com alguns clímaxes chegando muito cedo. Além disso, acho que há um uso excessivo de flashbacks, o que às vezes faz com que a ação pareça menos fluida do que deveria.
Problemas estruturais que, na realidade, não pesam tanto, pois a verdade é que a série (que está disponível no Paramount+) é extremamente viciante. Um thriller que sabe fazer o espectador sofrer com sua violência e brutalidade, e que você devora em poucas sessões.