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    Lula, o Filho do Brasil Entrevista com Rui Ricardo Diaz e Juliana Baroni
    Por Francisco Russo — 11 de dez. de 2009 às 13:09

    Entrevista com Rui Ricardo Diaz e Juliana Baroni

    Promessa de sucesso de bilheteria, Lula, o Filho do Brasil gera polêmica por sua possível influência no resultado das eleições presidenciais de 2010. O ADORO CINEMA já conferiu o filme e entrevistou o diretor Fábio Barreto e os atores Rui Ricardo Diaz e Juliana Baroni, intérpretes de Lula e Marisa Letícia, respectivamente. As críticas serão publicadas perto da estreia que acontece no dia 1 de janeiro de 2010. Além dos editores Francisco Russo (FR) e Roberto Cunha (RC), do ADORO CINEMA, Lucas Salgado, editor do Confraria de Cinema.com , também participou do bate papo. Boa leitura! LUCAS SALGADO: Como foi a entrada de vocês no filme? JULIANA BARONI: Fiz um teste, com muitas atrizes. Após dois meses fui chamada para fazer o papel. Fiquei super feliz, pois este é um meio em que trabalhei menos e tenho o maior desejo de fazer cinema. Comecei a ler o roteiro como se fosse um livro e fiquei super emocionada. Quando fui escolhida para ser a Marisa não tínhamos o Lula ainda, estávamos todos desesperados. Aí veio o Rui. RUI RICARDO DIAZ: Fiz teste para outro personagem, um sindicalista, um papel pequeno na história. Fui fazer o teste exatamente como estou agora. Quando as pessoas me dizem que lembra o Lula acho que tem uma série de fatores que ajudam, desde a construção, a barba, os dez quilos a mais, os arredores e pequenos detalhes. Minha entrada no filme foi meio sem saber o que estava fazendo e fiquei feliz da vida. ROBERTO CUNHA: Em relação ao dedo do Lula, uma pergunta técnica: estava colado ou tinha algum efeito especial? Rui: Havia uma luva feita de silicone que usei nos ensaios, mas funcionava melhor o esparadrapo. Então fiquei os quatro meses com o dedo preso. Juliana: O engraçado é que ele chegava na gravação com o dedo já para baixo, sem o esparadrapo. De tanto que ele ficava, o dia inteiro, o dedo acostumou a ficar para baixo. Depois, é claro, teve uma finalização digital. Rui: Se digitalmente dá para tirar, pra que usar isto? Eu me perguntei sobre isso muito rapidamente, mas achei a resposta. É diferente. Lembro que a primeira vez que coloquei esse negócio eu comecei a sacar a sensação de não ter um dedo. Isso de alguma forma afeta o meu trabalho. Por exemplo, você pegar na mão com alguém que tem um dedo a menos é diferente. LS: Como foi o trabalho de voz, na composição do Lula? Rui: Não sei responder exatamente esta pergunta. Não sou um imitador, não tenho a menor habilidade para isso. A primeira coisa que o Fábio me disse era que não queria nada de imitação. Queríamos buscar uma aproximação com estes personagens, em especial eu, que tinha um personagem tão popular, tão exposto a caricaturas. Quando você faz um personagem que é uma biografia, você é um pouco dele mas é também um pouco de você. O Lula que está na tela é a minha forma de ver o Lula. A gente buscou sempre as questões emocionais e fui me preparando, junto com o elenco, com o Fábio conduzindo o trabalho, vendo uma série de vídeos, lendo o livro da Denise. Fui buscando pequenas coisas, como engordar, deixar a barba crescer, tudo isso vai criando esta possibilidade de aproximação. Fui também buscando pequenas expressões. Tudo isto colabora para ter esta aproximação. LS: Na construção do personagem, o Lula é alguém que temos informações desde a década de 70. Já a dona Marisa sempre teve uma postura discreta. Como foi o contato com ela na pré-estreia? Juliana: No primeiro momento podia ter me assustado, pois foi minha primeira personagem real e é a primeira dama. Comecei a pedir ao Fábio Barreto para conhecer a Marisa, mas por motivo de agenda não foi possível este encontro. Foi quando o Fábio achou melhor pararmos de tentar, para que não ficasse preocupada em imitá-la. O mais importante para o filme é a relação de companheirismo existente entre a Marisa e o Lula, de muito amor, de muita luta. A viuvez que os dois sofreram muito cedo fez com que eles aproximassem, que não fosse um amor de adolescente, fosse de verdade. Diria até que se não fosse a Marisa na vida do Lula talvez ele não tivesse chegado tão longe. Rui: Nunca tinha visto a Juliana na minha vida, mas a gente precisava criar uma cumplicidade. Juliana: Isso veio através do nosso preparador de elenco, Sérgio Pena, com exercícios para que a gente se conhecesse. Praticamente nosso primeiro encontro foi no sindicato, quando rodamos a primeira cena do Lula com a Marisa. Ficamos o dia todo improvisando em cima daquela cena. A gente começou a jogar junto, descobrindo coisas que levamos ao filme. Este trabalho de preparação foi fundamental. Fiquei muito emocionada quando a encontrei, pois estudei a vida dela toda. Quando a vi pessoalmente percebi que a região dos olhos é muito parecida entre nós duas, acho que por isso fui escolhida. Por ter feito tanta pesquisa e ter interpretado a Marisa tive uma relação muito próxima dela, emocionalmente falando. Quando encontrei com minha personagem real fiquei meio catatônica, muito emocionada, procurando semelhanças. Ela foi muito carinhosa comigo e acho que ficou feliz com o resultado do filme. Eu fiquei mais feliz ainda em poder conhecê-la e ver que ela é tudo aquilo que imaginava e muito mais. É uma leoa, uma batalhadora e muito simples. RC: Quando a encontrou você olhou buscando o que a Juliana não conseguiu chegar ou querendo entender? Foi a atriz ou foi a Juliana? Juliana: As duas estavam presentes. A atriz querendo buscar semelhanças, o que não pude fazer antes. E a pessoa, eu fiquei muito comovida com a história dela de vida. Então fiquei buscando nela todas as informações que tinha colhido. Foi muito curioso, pois minhas personagens sempre estão muito povoadas no imaginário, não encontro com elas na rua. É diferente, foi uma experiência importante. LS: Como foi o contato com o Lula, que assistiu ao filme em São Bernardo do Campo? Rui: Só tive contato há pouco. Encontrar com esse cara que vê a própria história, que não é uma história fácil, e outras duas mil pessoas vendo aquilo é algo maluco. Estive muito pouco com o Lula, para conversar. Lula é muito bem humorado, é muito carismático. Aliás, isto era algo que me preocupava na construção, porque como é que se faz carisma? Isto está presente nas pequenas reuniões, ele brinca, se diverte. Depois do filme não cheguei a conversar com ele, mas tirei uma foto e ele estava visivelmente emocionado. FRANCISCO RUSSO: Há a expectativa de que este filme seja um grande sucesso de público. De que forma vocês acreditam que este impacto pode causar em suas carreiras, em relação a novos projetos? Juliana: Tenho uma paixão por cinema, como pessoa e atriz. Tomara que este filme abra as portas do cinema para mim, definitivamente. Para os atores o que importa mais é o momento da filmagem, que é quando você define o trabalho. O que vier de agora em diante para a gente é lucro. Já fizemos nosso trabalho, creio que esta preocupação se vai dar lucro e se será um grande sucesso é mais dos produtores do que da gente. Rui: Toda a minha base como ator está alicerçada no teatro. Não só por escolha, mas porque sempre foi assim. Fazer cinema não é fácil, é um mercado restrito e sabemos de todas as dificuldades. Para mim foi maravilhoso. Queria fazer cinema e surgiu esta oportunidade maravilhosa, para contar uma história bem brasileira que o Fábio inteligentimente dedica ao povo brasileiro. Se me convidarem, estou aberto para trabalhar. O que tenho de concreto é que no começo do ano começo a ensaiar uma peça de teatro. Faz um ano que não faço teatro e para mim fazer teatro é também ensaiar. RC: Como vocês encaram o lado político que está sendo associado ao filme? Rui: Esta é uma história brasileira. As pessoas precisam entrar na sala de cinema e se limpar, estar abertas para assistir a um filme. Cinema é feito de detalhes e as pessoas têm que se ater aos detalhes que este filme propõe. Acho que esta é uma história necessária. Se fizéssemos este filme um ano atrás ele levantaria polêmica, se lançasse depois do próximo presidente diriam que o Lula está se preparando para voltar. A história não é exatamente de um presidente, mas de uma família, das relações entre eles. A mãe é um personagem quase brechtiniano, é uma mãe coragem. Esta história é um recorte do que foi e do que é o povo brasileiro. FR: Houve algum temor em ficar estigmatizado como o Lula? Rui: Não rolou. Estou estreando no cinema e quando recebi o convite disse: é claro! Você adora cinema, quer fazer cinema, alguém chega e te pergunta se você quer fazer o Lula em um filme chamado Lula. Claro que quero! Depois comecei a pensar em como poderia fazer isto. Venho de uma pesquisa de teatro que parte quase do naturalismo e fazer cinema é aquele negócio que fica impresso, a câmera captura além daquilo que a gente mostra. Estou falando de sensações. Minha preocupação era ser sincero e fazer com naturalidade, de não imitar e não fazer algo caricato, o que todo mundo faz. Como ator, tenho que estar pronto para isso. Não sei se conseguirei fazer outro personagem com a dimensão deste ou com a mesma variação emocional. RC: Qual é a expectativa de bilheteria para vocês? Juliana: Não tenho a menor ideia. Se bater todos os recordes ficarei super feliz, mas para mim não importa muito. Se for um filme bem feito, as pessoas gostarem, isto importa mais do que os números. Isto importa mais aos produtores do que a gente. Rui: Gostaria que muita gente visse, pois é uma história tão bonita. Esqueçamos as questões políticas, até porque este cara não tem nem partido, não se diz de esquerda ou de direita. Gostaria que as pessoas vissem, que conhecessem esta história, deste camarada que se transformou em presidente. Acho que bastante gente vai ver. Juliana: É, as pessoas estão curiosas. Até para falar mal.

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