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    "O filme busca atualizar o amor romântico à luz do tempo presente", diz diretor de Happy Hour (Entrevista exclusiva)
    Por Barbara Demerov — 30 de mar. de 2019 às 08:06

    Eduardo Albergaria e Letícia Sabatella falam sobre o filme, que está em cartaz nos cinemas.

    Happy Hour - Verdades e Consequências, que estreou nesta quinta-feira (28), trabalha os problemas que um casal passa a enfrentar à medida que o marido ganha a atenção da mídia e a esposa se esforça para se candidatar à prefeitura do Rio de Janeiro. Dirigido por Eduardo Albergaria e estrelado por Letícia Sabatella e Pablo Echarri, o filme transita entre comédia e questões existenciais.

    Em entrevista para o AdoroCinema, Letícia e Eduardo falaram sobre a principal mensagem do filme – perguntamos se a mensagem que transita ali é a de reconhecer um amor a partir da liberdade, ou se existe outro significado. "Acho esse pensamento muito bonito", diz Sabatella. "Nunca tinha construído essa visão (risos). Olha, eu acho que se é reconhecer o amor a partir da liberdade, é entender como colocar isso em prática. Que liberdade é essa? Até onde podemos ir? Que limite temos? Essa é uma questão, porque ser livre oferece uma espécie de paradoxo com o amor romântico. O amor romântico desafia os conceitos de liberdade. Eu acho que o filme, de alguma maneira, busca encontrar um caminho ou atualizar o amor romântico à luz do tempo presente. Está cada vez mais difícil fingir que não se vê as coisas. Antes era mais fácil fingir, nem tínhamos celular e tecnologia", completa o diretor.

    Sobre o amor, o sentimento que move a trama, Albergaria afirma que acredita nele. "Eu acredito no amor generoso, na verdade. O único caminho que nos resta é conversar sobre." E é exatamente isso que os personagens Vera e Horácio fazem na maior parte do filme. Quando Horácio propõe a Vera um relacionamento aberto, imediatamente o casal começa a dialogar mais sobre suas vontades internas e dúvidas. "Eles pelo menos tentam. O filme não pacifica essa questão entre os dois, afinal isso não é fácil na vida real. A única saída, se é que existe, é o diálogo. Porque fingir... É como se fosse o seguinte: a gente convencionou que uma vez que você tem um desejo, reprima ele ou finja que não existe", explica Eduardo. "Essa desidealização no filme é muito legal. O desejo também é outra prisão. Desejou, realiza. É um hedonismo extremo", concorda Letícia.

    Eduardo continua: "Temos de lidar com as coisas. O crime do Horácio é não se dar conta de que o desejo dele não é maior que a pessoa que está ao lado dele. Eu acho que este é um filme que não dá solução fácil. De alguma maneira, faz por amostragem, coloca as questões e as soluções entregues nós precisamos refletir. É preciso refletir sobre a posição masculina na sociedade e no mundo. E a posição violenta, egoica, enfim. Desafiar objetivamente isso e evidentemente o efeito dessa presunção da inocência, da cegueira da mulher. Por isso é preciso ter representatividade da mulher da política". 

    Quanto à presença de sua personagem Vera, que demonstra muita força e mais maturidade, mas acaba sendo ofuscada pelos homens ao seu redor, Letícia reflete: "Ela realmente fica à sombra de todos os homens. Ela tenta ter voz, tenta enxergar. No final também, ela não tem uma vitória. Ela fica com o Horácio".

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