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    RioContentMarket 2016: Anna Muylaert discute minorias em Que Horas Ela Volta? e Mãe Só Há Uma (Exclusivo)
    Por Rodrigo Torres — 9 de mar. de 2016 às 23:46
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    Mãe Só Há Uma venceu o Teddy Award no Festival de Berlim 2016.

    Marcos Alves

    Tudo muito bem conectado no primeiro dia do RioContentMarket 2016. A abertura foi conduzida por Rhys Ernst, produtor de Transparent que deu uma verdadeira aula sobre a questão transgênera e como sua representação no audiovisual pode interferir na sociedade e vice-versa. Em seguida, um grupo de cineastas discutiu o lugar da mulher no cinema e na TV, com destaque para Anna Muylaert — que aborda todos esses temas em seus dois últimos e elogiados filmes.

    Vencedor de dois prêmios em Berlim e outros nove em festivais pelo mundo, Que Horas Ela Volta? conta a história de Val (Regina Casé), uma emprega doméstica que, para ter seu sustento, abre mão da própria família para ter uma vida invisível na casa de outra família. Esta é a mensagem política pretendida pela cineasta, sem jamais pensar que o comportamento irascível da filha de Val, Jéssica (Camila Márdila), se tornaria centro de debate em núcleos feministas.

    Que Horas Ela Volta?: o filme sobre Val ganhou núcleos feministas graças à personalidade de Jéssica.

    "O filme é produzido por dois homens e duas mulheres, mas fotografado por mulher, montado por mulher, elenco de mulher, diretora mulher, assistente mulher, protagonistas mulheres e mesmo assim a gente nunca parou pra pensar num filme de empoderamento feminino", disse Anna Muylaert sobre o seu premiado longa. Depois, em depoimento exclusivo ao AdoroCinema, ela disse que suas constantes participações em círculos de conversa sobre o tema não terão sido em vão, e que pretende realizar algo conscientemente feminista em breve.

    Até lá, Anna Muylaert terá sido citada em rodas de conversas sobre outros tabus sociais. E por um outro filme que promete uma trajetória consagrada: Mãe Só Há Uma, vencedor do Teddy Award de melhor longa-metragem com temática gay do Festival de Berlim 2016. Ganhador do edital de Longa BO do Ministério da Cultura, a produção de baixo orçamento é descrita por Muylaert como um "filme sobre troca": de identidade e gênero.

    "Você acha que eu escolhi ser roubado duas vezes? Duas!"

    Pierre é um jovem de 17 anos que é surpreendido com a notícia de que foi roubado da maternidade por sua mãe de criação. O adolescente passa a viver com sua família real — pela qual é chamado de Felipe. Simultaneamente, ele terá de lidar com transformações pessoais derivadas de sua sexualidade, momento em que Anna Muylaert "vai mexer também com questões de gênero".

    "A diretora, roteirista e produtora Anna Muylaert contou em Mãe Só Há Uma uma história inteligente, divertida e maravilhosamente gay sobre identidade e família", declarou o Festival de Berlim na justificativa do prêmio Teddy 2016. O filme "levanta questões interessantes sobre gênero e sexualidade e se mantém acessível e grandiosamente divertido". O júri ainda elogia "o lindo Naomi Nero e a maravilhosa Daniele Nefussi" por atuações emocionantes, complexas, e trata a obra como algo que o público global estava esperando.

    Trocando em miúdos: o mundo é de Anna Muylaert, cada vez mais aceita por justamente abordar temas (dentre outros) que refletem sobre aceitação.

     

     

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