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    Entrevista: Helvécio Ratton revela que O Segredo dos Diamantes foi influenciado pelos quadrinhos
    Por Francisco Russo — 19 de dez. de 2014 às 13:46

    Vencedor do prêmio do público no Festival de Gramado, o filme já está em cartaz no circuito comercial.

    Nova aposta no cinema voltado para os jovens, O Segredo dos Diamantes já está em cartaz em várias cidades do país. O longa-metragem acompanha as aventuras de um trio de amigos que, no interior de Minas Gerais, procura um punhado de diamantes escondido há séculos. O AdoroCinema conversou com o diretor Helvécio Ratton em sua visita ao Rio de Janeiro para promover o filme, onde revelou que teve como inspiração as histórias dos quadrinhos do Tio Patinhas e vários detalhes da produção. Confira! INFLUÊNCIAS

    O Segredo dos Diamantes explora bastante o interior de Minas Gerais, mesclando com toques de aventura e história ao mesmo tempo em que usa smartphones e internet como elementos da narrativa. Diante desta mistura, Helvécio explicou quais foram as suas influências para o longa-metragem. "Acho que comecei a fazer este filme desde criança. A primeira lembrança que tenho do cinema, isso nos anos 1950, foi de ver aqueles cartazes de filmes de aventura da época. Minas é um lugar onde ouvimos muitas histórias, onde tem ouro e pedras preciosas tem muitas lendas. Além disto, a busca por um tesouro é algo universal, desde A Ilha do Tesouro até Mark Twain, com Tom Sawyer." O diretor ainda revelou que uma das principais influências veio dos quadrinhos. "Adorava os quadrinhos do Tio Patinhas, que tinha um roteirista maravilhoso chamado Carl Barks. Ele criou o personagem e, na verdade, foram as histórias dele que influenciaram Indiana Jones. Barks era também um desenhista sensacional e criava aquelas histórias do Tio Patinhas com o Pato Donald e sobrinhos indo atrás de tesouros escondidos e cidades perdidas. Aquilo me alimentou muito e acabou que isto tudo desaguou no filme." A CIDADE COMO MÁQUINA DO TEMPO "Minas Gerais tem este cenário das cidades coloniais, que basicamente são cenografias a céu aberto onde, sabendo usar bem, você recria épocas com muita facilidade. Sempre gostei de brincar com esta ideia da cidade como máquina do tempo, onde tudo parou", explica o diretor. "Quis criar esta história da caça ao tesouro usando estas ferramentas modernas. Hoje, se você for procurar alguma informação, qualquer garoto acessa o Google pelo smartphone e pronto. Não é que crie uma contradição, mas traz um signo moderno em um contexto de outra época."

    PAGAR A DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA A história dos diamantes escondidos chegou a Helvécio Ratton ainda quando rodava A Dança dos Bonecos, no início da década de 1980. Ou quase isso. O diretor explica. "Durante as filmagens conheci o seu Ângelo, que vivia me dizendo que tinha uma história muito bacana para me contar. Por falta de tempo, não o ouvi. Depois que lancei o filme, o procurei para ouvir esta história. Foi quando ele me contou da busca por 20 anos de um homem pelos diamantes e que ele queria usá-los para pagar a dívida externa brasileira! Existiam muitas histórias como esta e, ao fazer este filme, fui lembrando muito do seu Ângelo. Não sei se a palavra é ingenuidade, mas nesta capacidade de acreditar em tesouros escondidos." O QUE FARIA SE ENCONTRASSE OS DIAMANTES? "Acho que investiria em educação", respondeu o diretor. "Inclusive foi algo que conversei com seu Ângelo na época, que com estes diamantes era possível educar tanta gente..."

    CINEMA BRASILEIRO "Algo que me incomoda muito no cinema brasileiro é que ou você faz comédia ou faz filme de autor", comentou Helvécio. "Parece que os outros gêneros são proibidos para nós. Eu quando cresci adorava estes filmes todos e, quando me tornei cineasta, achava que poderia fazê-los. Tenho vontade de fazer um filme de terror, mas aqui no Brasil parece que há uma interdição, que não é algo nosso. Então a gente vira um gênero. Você ia numa locadora e via terror, suspense e cinema brasileiro! É uma relação muito estranha que eu sempre não quis me encaixar." O RETORNO AO CINEMA INFANTO-JUVENIL No Festival de Gramado, Helvécio comentou que, após lançar Menino Maluquinho, procurou se afastar dos filmes infanto-juvenis para não ficar estigmatizado no gênero. "Sempre gostei de ter obras diversificadas. Estreei dirigindo um documentário sobre um hospício em Barbacena, um filme duríssimo. Em seguida fiz A Dança dos Bonecos e aí veio o convite do Ziraldo para fazer Menino Maluquinho. Depois disto, as pessoas diziam que eu era expert em cinema infantil no Brasil. Não era expert coisa alguma, tinha feito dois filmes que tinham me interessado, queria fazer outros tipos de filmes também. Fiz Amor & Cia, Uma Onda no ArBatismo de Sangue e hoje me sinto muito à vontade em fazer o que me interessa fazer." Helvécio fez ainda um alerta: "Não faço estes filmes infanto-juvenis por missão, faço por um prazer enorme. Brinco que quando faço estes filmes tenho um codiretor, que é o garoto que ainda mora dentro de mim, que se diverte muito com certas coisas e me dá ótimas ideias."

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