Apenas três anos depois de Alien, o 8º Passageiro, Ridley Scott revoluciona novamente o cenário da ficção científica com sua adaptação do romance Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick.
Considerado com justiça um dos maiores filmes da história do cinema, Blade Runner, o Caçador de Androides é uma obra seminal do gênero Cyberpunk, nas palavras de William Gibson, escritor americano e "Papa" do Cyberpunk. Blade Runner influenciou gerações de cineastas e criadores de jogos eletrônicos.
Quanto a Scott, ele próprio costumava dizer: "Blade Runner é o meu filme mais realizado e mais pessoal". Uma visão construída também graças ao trabalho fabuloso do designer industrial Syd Mead e a um imenso artista por trás dos efeitos visuais, Douglas Trumbull. Mas este monumento da ficção científica certamente não teria se tornado tão cult sem sua extraordinária trilha sonora assinada por Vangelis, que marcou para sempre a nossa memória cinefílica.
Entre as cenas memoráveis do filme, destaca-se a do famoso monólogo do fim (de vida) pronunciado por um extraordinário Rutger Hauer. Uma das cenas mais marcantes da história do cinema, que entrou pela porta da frente em seu panteão. Um curto monólogo de 50 segundos e 42 palavras, que se tornou icônico e ficou conhecido como o monólogo das "Lágrimas na chuva".
Relembremos, apenas pelo prazer...
"Fiquei com os olhos cheios de lágrimas"
Em plena promoção de seu novo filme, Ponto Sem Retorno, Ridley Scott concedeu uma entrevista ao site Collider, que não pôde deixar de, como outros, relembrar a filmografia do cineasta e, especialmente, Blade Runner. E o diretor contou ter ficado com os olhos cheios de lágrimas quando Rutger Hauer lhe recitou pela primeira vez o seu lendário monólogo.
"É claro que me lembro das gravações dessa cena. Na noite em que filmamos essa cena, eles iam me demitir. Era a minha última noite. Era uma da manhã e, enquanto estávamos comendo, Rutger me disse: 'Escrevi um texto, você pode vir ao meu camarim? Gostaria de lê-lo para você'. Então eu fui e, antes daquela frase escrita por Hampton Fancher, 'é hora de morrer', havia este trecho: 'Eu vi coisas que vocês, humanos, não acreditariam... Grandes naves de guerra em chamas no ombro de Órion... Eu vi raios fabulosos'.
Essa poesia... não sei se foi porque era uma da manhã, mas fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Eu disse a ele: 'Temos que fazer isso! Você precisa fazer!' Ele então saiu, estava chovendo, sentou-se e entregou aquele discurso magnífico. Harrison, de maneira inteligente, sentou-se também para observá-lo, ouvir e absorver o discurso [...]".
The Ladd Company / Shaw Brothers
Em uma entrevista concedida à Radio Times em 2019, pouco antes do lançamento de Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve, Rutger Hauer havia trazido alguns detalhes adicionais a esse mito:
“Manti duas linhas porque as achava poéticas. Pensei que elas pertenciam a esse personagem, porque, em algum lugar de sua cabeça digital, há poesia e ele sabe o que é isso. Ele sente! E enquanto suas baterias funcionam, ele encontra essas duas linhas. Ridley me deu toda a liberdade, pois queria que fosse uma história focada nos personagens. Ele nunca tinha dirigido um filme focado nos personagens. Ele disse: 'É isso o que quero fazer: traga-me tudo o que puder propor, e farei se gostar'. Palavra mantida, para entregar, no fim das contas, uma sequência que entrou para a lenda da 7ª Arte."
Blade Runner, o Caçador de Androides está disponível para streaming no Prime Video.