Dez indicações ao Oscar, duas vitórias, ambas por Hamlet (1948), filme que dirigiu e produziu, nas categorias de Melhor Ator e Melhor Filme, além de dois Oscars honorários. Laurence Olivier é considerado até hoje um dos atores e diretores mais importantes do século XX. O britânico participou de mais de 100 peças de teatro e de mais de 60 filmes, levando as obras de William Shakespeare para o cinema como poucos conseguiram.
Mesmo em uma fase mais avançada da carreira, Olivier continuou entregando atuações inesquecíveis e, em alguns casos, indicadas ao Oscar. Foi assim, por exemplo, ao interpretar o cruel ex-médico nazista Dr. Christian Szell ao lado de Dustin Hoffman no clássico thriller Maratona da Morte (1976). Ele também apareceu em grandes produções de estúdio, como Uma Ponte Longe Demais, e permaneceu ligado aos palcos como diretor do National Theatre de Londres, instituição que ajudou a fundar.
No fim da carreira, Laurence Olivier participou de um dos maiores fracassos de sua trajetória
É claro que nenhum ator participa apenas de grandes filmes. E nem todos os trabalhos da impressionante carreira de Laurence Olivier fazem jus à reputação do lendário intérprete de Spartacus. Talvez o maior tropeço de sua carreira tenha acontecido em 1981, quando ele participou de Inchon, drama de guerra sobre uma batalha decisiva da Guerra da Coreia. O elenco também contava com Jacqueline Bisset, Ben Gazzara, Toshirō Mifune e Richard Roundtree.
Metro-Goldwyn-Mayer
Que se tratava de um projeto bastante controverso fica evidente pelo próprio financiamento. Grande parte do filme foi bancada pela Igreja da Unificação, também conhecida como Igreja Moon.
Fundado pelo pregador sul-coreano Sun Myung Moon, o movimento esteve envolvido em diversas controvérsias ao longo dos anos, incluindo acusações relacionadas à sua estrutura rígida e a práticas consideradas manipuladoras. Inchon, portanto, já era um projeto cercado de polêmica antes mesmo de chegar aos cinemas.
Os problemas aumentaram com relatos de atrasos consideráveis nas filmagens e constantes interferências dos financiadores. O resultado acabou fazendo jus à má fama do projeto: a crítica destruiu Inchon e, diante de um orçamento de 46 milhões de dólares, o desastre dirigido por Terence Young, cineasta de 007 Contra a Chantagem Atômica, arrecadou apenas cerca de 5 milhões de dólares.
O dinheiro foi a única motivação de Olivier
Pelo menos para Olivier, sua participação havia valido a pena. O ator recebeu um cachê de 1 milhão de dólares por apenas seis semanas de trabalho, justamente em uma época em que sua situação financeira não era das melhores. E ele não fazia questão de esconder o motivo que o levou a aceitar o papel.
“As pessoas me perguntam por que estou fazendo este filme”, declarou Olivier na época, em entrevista reproduzida pelo SlashFilm. “A resposta é simples: dinheiro [...]. Estou cansado e sinto que o fim está próximo. [...] Não tenho nada para deixar à minha família além do dinheiro que ainda consigo ganhar com filmes. Nada é baixo demais para mim se for bem pago. Conquistei o direito de levar tudo o que puder conseguir durante o tempo que me resta.”
Olivier morreu em 1987, aos 82 anos. Embora o dinheiro de seus trabalhos no fim da carreira possa ter ajudado a garantir uma base financeira para seus filhos, Inchon certamente não é o filme pelo qual ele ficou marcado.
Seu último trabalho nas telas, aliás, só chegou ao público depois de sua morte. E, ironicamente, também estava ligado a um fracasso de grandes proporções, apesar de contar com um elenco repleto de estrelas e uma produção grandiosa.