Com 7 indicações ao Oscar e 100% de aprovação no Rotten Tomatoes: Esta adaptação literária é "um dos filmes mais inspiradores de todos os tempos"!
por Iris Dias

Com As Vinhas da Ira, o diretor John Ford abordou um romance sombrio e socialmente crítico sobre a crise econômica global.

John Steinbeck escreveu quase 30 romances e novelas ao longo da vida e se tornou um dos mais importantes escritores estadunidenses do século XX, reconhecimento que culminou no Prêmio Nobel de Literatura. Suas histórias, muitas vezes centradas na ilusão promissora do chamado Sonho Americano, logo chamaram a atenção de Hollywood.

Em 1939, o diretor Lewis Milestone adaptou a novela Ratos e Homens para o cinema, em um filme que fez sucesso. Anos depois, Vidas Amargas (1955), de Elia Kazan, baseado no romance homônimo de Steinbeck, causou grande impacto ao trazer um inesquecível James Dean no papel principal.

No entanto, o título que acabou sendo considerado a mais importante adaptação da obra de Steinbeck é outro: o drama em preto e branco As Vinhas da Ira (1940), dirigido por John Ford. O filme ocupa a sétima posição na lista do American Film Institute dos filmes mais inspiradores de todos os tempos — apesar de abordar uma realidade bastante sombria.

Uma luta pela sobrevivência durante a Grande Depressão

20th Century Fox

A história de As Vinhas da Ira começa em Oklahoma, durante o auge da Grande Depressão, na década de 1930. O estado enfrenta uma devastadora seca, que ameaça ainda mais a sobrevivência de inúmeras famílias de agricultores.

É nesse cenário que o jovem Tom Joad (Henry Fonda), pouco depois de deixar a prisão, descobre que sua família perdeu a fazenda para grandes proprietários de terras. Ele reencontra os pais, avós e irmãos na casa de um tio, enquanto todos se preparam para uma longa viagem rumo à Califórnia. A esperança é encontrar trabalho e começar uma nova vida no estado.

A viagem pela Rota 66 é difícil, e nem todos os integrantes da família Joad chegarão ao destino. Na Califórnia, porém, as dificuldades de Tom e seus familiares estão longe de terminar. Milhares de trabalhadores migrantes viajam para o estado movidos pelo desespero e acabam disputando empregos mal remunerados, sendo explorados e enfrentando a fome.

Inspirador justamente por se afastar do livro

Com sua fotografia em preto e branco e o uso intenso de sombras, John Ford construiu em As Vinhas da Ira um drama que, inicialmente, segue de perto o tom sombrio do romance. Na época, a produção foi celebrada pela crítica como uma espécie de “film noir social”.

No Oscar de 1941, o longa recebeu sete indicações e conquistou duas estatuetas. John Ford venceu como Melhor Diretor, enquanto Jane Darwell, intérprete de Mamãe Joad, foi premiada como Melhor Atriz Coadjuvante.

As Vinhas da Ira
As Vinhas da Ira
Data de lançamento 1940 | 2h 09min
Criador(es): John Ford
Com Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine
Usuários
4,3

O fato de As Vinhas da Ira ter sido tão bem recebido, apesar de seu tom sombrio e da crítica aberta ao capitalismo presente na obra original, e posteriormente ter sido considerado um filme “inspirador”, deve-se principalmente às mudanças feitas pelo roteiro a partir da segunda metade da produção.

Em vez de seguir até o desfecho original, consideravelmente mais sombrio, o roteirista Nunnally Johnson optou por um encerramento mais esperançoso. Ainda assim, o filme não ignora as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores durante a Grande Depressão, preservando boa parte da força social e política da obra de Steinbeck.

Infelizmente, As Vinhas da Ira não está disponível nos streamings brasileiros.

Iris Dias
Amante dos filmes de fantasia e da Beyonce. Está sempre disposta a trocar tudo por uma sitcom ou uma maratona de Game Of Thrones.
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