Clint Eastwood é considerado há muito tempo um dos maiores nomes de Hollywood. Como ator, diretor e produtor, ele moldou a fábrica de sonhos por décadas e contribuiu para obras-primas como Por um Punhado de Dólares, Perseguidor Implacável e Os Imperdoáveis. Isso lhe rendeu sua reputação única, quatro Oscars e inúmeros outros prêmios.
Para marcar o lançamento nos cinemas de Sully - O Herói do Rio Hudson em 2016, estrelado por Tom Hanks, Eastwood conversou com a revista americana Esquire sobre sua carreira, família e o cenário em transformação de Hollywood. A perspectiva de Clint sobre a indústria cinematográfica e as interações sociais foi excepcionalmente sincera – e provavelmente continuará gerando discussões mesmo dez anos depois.
"Vivemos numa geração frágil"
Na entrevista, Eastwood explicou que, em sua opinião, muitas pessoas já estão fartas do politicamente correto. Ele criticou uma abordagem social que, em seu ponto de vista, é cada vez mais caracterizada pela cautela e pelo conformismo.
Warner Bros.
"Estamos vivendo em uma geração de bajuladores. Vivemos em uma geração muito frágil. Todos pisam em ovos. Constantemente vemos pessoas acusando outras de racismo ou todo tipo de coisa. Quando eu era criança, essas coisas não eram chamadas de racismo." Eastwood citou a produção de Gran Torino como exemplo. Um colaborador próximo havia lhe alertado na época que, embora o roteiro fosse excelente, poderia parecer politicamente incorreto. Foi exatamente isso que o fez mudar de ideia.
"Meu colega disse na época: 'Este roteiro é muito bom, mas é politicamente incorreto.' Eu respondi: 'Tudo bem. Vou lê-lo hoje à noite.' Na manhã seguinte, cheguei ao escritório, joguei o roteiro na mesa dele e disse: 'Vamos começar o filme imediatamente.'"
Ao ser questionado sobre o que queria dizer com uma "geração frágil", Eastwood esclareceu sua posição. Ele explicou que se referia a pessoas que constantemente estabelecem limites e ditam aos outros o que podem ou não dizer ou fazer. "Todas essas pessoas que dizem: 'Ah, você não pode fazer isso. Você não pode dizer isso.' Acho que é assim que as coisas são hoje em dia."
Eastwood enfatizou diversas vezes que valorizava a liberdade criativa mais do que a preocupação de ofender alguém com um filme ou uma declaração. Seus comentários sobre o politicamente correto, portanto, provocaram controvérsia mesmo naquela época.
Entre emoções fortes e posições conservadoras
É precisamente essa contradição que faz de Clint Eastwood uma das figuras mais intrigantes de Hollywood até hoje. Por um lado, ele surpreendeu repetidamente o público com filmes sensíveis e emocionantes como As Pontes de Madison. Por outro lado, frequentemente se confrontava com visões conservadoras e declarações provocativas, gerando debates acalorados.
Eastwood nunca pareceu se importar muito com a possibilidade de suas palavras serem controversas. Ele sempre expressou sua opinião sem se preocupar com possíveis reações – e frequentemente criticava outras estrelas de Hollywood.