Em 1995, o diretor Bryan Singer nos presenteava com um ápice do suspense policial, Os Suspeitos. Escrito por Christopher McQuarrie, futuro diretor dos filmes Missão Impossível a partir de Nação Secreta, esta obra marcou sua época!
Com um elenco fabuloso, de Gabriel Byrne a Kevin Spacey, passando por Benicio Del Toro, Chazz Palminteri e Stephen Baldwin, Os Suspeitos deu um nó na cabeça de milhões de espectadores graças ao seu twist final alucinante.
Uma conclusão impressionante
Na época, ninguém viu chegar esse final absolutamente insano, que deixou todo mundo no chão! Para além de uma simples revelação, essa reviravolta recontextualiza toda a história de Os Suspeitos.
De fato, durante todo o filme, a investigação se baseia essencialmente no depoimento de Verbal Kint, interpretado por Kevin Spacey. É um homem com deficiência, que parece fraco, desajeitado e pouco ameaçador.
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Nos minutos finais, o inspetor Kujan (Chazz Palminteri) percebe que diversos detalhes do relato de Verbal vêm simplesmente de objetos e palavras visíveis em seu escritório. Isso sugere que sua história foi amplamente inventada.
O espectador entende então que confiou em um narrador que não era confiável. E é aí que a cabeça começa a fumaçar! Essa última sequência nos revela que Verbal Kint é, na verdade, Keyser Söze, o criminoso lendário que todos procuravam.
A cena em que ele sai da delegacia e abandona progressivamente o seu mancar antes de entrar em um carro tornou-se emblemática por mostrar a transformação do personagem diante dos nossos olhos. Essa revelação funciona sem longas explicações: alguns gestos bastam para fazer entender o que aconteceu.
Uma transformação memorável
Pouco a pouco, esse personagem que parecia franzino, com uma deficiência na perna, torna-se um ser ágil, de passo firme e postura ereta. Ele se metamorfoseia completamente, passando de Verbal a Keyser, seguro e determinado.
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Compreendemos então que a narrativa não se limitou a enganar o investigador. Ela também enganou o público. As pistas são apresentadas de modo a nos fazer adotar o ponto de vista de Verbal. Quando a verdade surge, percebemos que a nossa própria interpretação se baseava em suposições. É um exemplo famoso de narrador não confiável, um recurso narrativo em que a história é enviesada ou mentirosa.
No entanto, mesmo que esse twist final nos tenha deixado de queixo caído, ele permanece, apesar de tudo, ambíguo. Afinal, o filme não confirma explicitamente cada detalhe. Não sabemos exatamente quais partes do relato eram verdadeiras, quais foram inteiramente inventadas ou quais eventos realmente aconteceram.
Uma grande influência
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Essa ambiguidade alimenta discussões desde o lançamento de Os Suspeitos, e é isso que faz dele, em parte, uma obra atemporal. Em seu lançamento em 1995, essa conclusão marcou época porque usava a reviravolta final não como uma simples surpresa, mas como um meio de transformar retroativamente toda a história.
Assim, diversos thrillers dos anos seguintes adotaram recursos semelhantes, combinando vários efeitos de uma só vez: uma revelação inesperada, um narrador enganoso, uma direção muito sóbria e a sensação de que todo o filme precisa ser reavaliado após a última cena.
É o que o torna um dos desfechos mais famosos da história do thriller policial, com sua frase final, que nos arrebata completamente: "O maior truque que o Diabo já deu foi convencer o mundo de que ele não existia". O vilão vence no final, e isso não era nada comum!