Kafka escreveu este livro em 21 dias trabalhando à noite — e pediu que fosse destruído antes de morrer
Victoria Fernandes
Victoria Fernandes
-Redatora
Apaixonada por histórias que unem emoção e estética. Ama romances de época e o charme do cinema francês. Fascinada por distopias e tudo que é cyberpunk. Defensora do cinema brasileiro e do que ele tem de mais humano, criativo e vibrante.

Uma das obras mais célebres da literatura universal foi escrita à noite, entre turnos de trabalho, e quase desapareceu para sempre. Felizmente, um amigo desobedeceu.

Franz Kafka escreveu A Metamorfose entre os dias 17 de novembro e 7 de dezembro de 1912, em apenas três semanas. Na época, trabalhava durante o dia em uma companhia de seguros e escrevia à noite. Ele considerava esta obra especialmente importante e temia que qualquer interrupção prejudicasse sua qualidade.

A história começa sem cerimônia: certa manhã, Gregor Samsa acorda transformado em um inseto monstruoso. O narrador e o próprio Gregor tomam a metamorfose como algo quase insignificante, e enquanto Gregor perde gradualmente sua condição humana aos olhos das pessoas ao redor, enfrenta isolamento, rejeição e crescente desumanização.

A Metamorfose

Editora Pallas

A obra possui forte caráter autobiográfico. A relação difícil de Kafka com seu pai, Hermann Kafka — homem autoritário e dominador —, é refletida na figura do Sr. Samsa. Sua mãe, mais passiva, inspira a Sra. Samsa, enquanto sua irmã Ottla serviu de base para a personagem Grete.

Antes de falecer, Kafka havia deixado uma carta ao seu amigo Max Brod, pedindo que ele queimasse todos os seus escritos. Brod não o fez, e é por isso que A Metamorfose existe hoje, mais de 100 anos depois de ter sido escrita.

A edição da Companhia das Letras traz a renomada tradução direta do alemão de Modesto Carone — considerada a mais precisa e elegante já feita para o português brasileiro. São 104 páginas que ainda perturbam, ainda fazem pensar, ainda incomodam.

facebook Tweet
Links relacionados
  • Esta mulher foi a única sobrevivente de um massacre em 1929. Décadas depois, decide contar tudo em uma velha máquina de escrever
  • Ela escreveu sobre um homem negro que nunca pode chorar. O resultado é um dos romances mais poderosos da literatura brasileira