Ambos são lendas da atuação que entraram para a cultura pop com papéis inesquecíveis e visuais marcantes, frequentemente imitados. No entanto, em tudo o mais, eles são o mais diferente possível: é praticamente impossível confundir Sean Connery com Audrey Hepburn!
Afinal, um atuou como o primeiro protagonista da saga cinematográfica James Bond e brilhou em outros blockbusters como A Rocha e Indiana Jones e a Última Cruzada. A outra, por sua vez, foi embaixadora especial da UNICEF e ícone da moda, que encantou milhões de pessoas na comédia romântica A Princesa e o Plebeu, conquistou Paris de forma vibrante no musical Cinderela em Paris e viveu um romance inesquecível e agridoce em Bonequinha de Luxo. Dificilmente alguém pensaria que esses dois gigantes do cinema poderiam simplesmente trocar de papéis em um filme.
E, no entanto, existe um filme de fantasia com um papel escrito sob medida para Connery, mas que acabou sendo interpretado por Hepburn! Devemos essa curiosidade da história do cinema a ninguém menos que Steven Spielberg: o diretor de Jurassic Park queria primeiro atrair Connery para seu drama romântico sobrenatural Além da Eternidade e depois traçou um plano B inesperado.
Do que trata Além da Eternidade
O piloto de aviões de combate a incêndio Pete Sandich (Richard Dreyfuss) enfrenta um dilema: ele ama sua profissão e o fato de salvar vidas apagando incêndios florestais. Mas ele também ama sua companheira Dorinda Durston (Holly Hunter), que despreza o seu trabalho devido aos riscos envolvidos. Pete acaba se decidindo por Dorinda e promete abandonar o emprego após uma última missão.
Contudo, as preocupações de Dorinda mostram-se corretas nessa missão: Pete morre tragicamente durante a operação de combate ao fogo. Mas ele não se despede totalmente para o "além": seu espírito passa a vigiar, como um anjo da guarda, as ações do jovem piloto Ted Baker (Brad Johnson). Quando Ted põe os olhos em Dorinda, Pete entra novamente em um dilema...
Um filme de fantasia cujo planejamento remonta às filmagens de Tubarão
Além da Eternidade chegou aos cinemas no final dos anos 1980 e foi um projeto de coração mantido por muito tempo por Steven Spielberg: já durante as filmagens de Tubarão, ele falava com entusiasmo ao seu astro Richard Dreyfuss sobre o clássico dos anos 40 Dois no Céu. Assim surgiu a ideia de refazer o filme de guerra sobrenatural do diretor de E o Vento Levou, Victor Fleming, no qual Spencer Tracy interpreta um piloto de bombardeiro e anjo da guarda.
Ficou logo decidido que Dreyfuss assumiria uma versão modernizada do papel de Spencer Tracy, enquanto a busca por seu coprotagonista masculino se mostrou mais difícil: entre outros, Tom Cruise e Dustin Hoffman estavam na lista de desejos de Spielberg – até que Brad Johnson (Deixados Para Trás) finalmente conseguiu o papel.
Para um papel pequeno, porém importante, Spielberg pensou imediatamente em Sean Connery: ele deveria interpretar Hap, o anjo experiente que recebe o protagonista no "outro lado" e explica qual é sua nova tarefa. Quando Connery recusou o papel escrito para ele por razões de agenda, Spielberg seguiu em uma direção completamente diferente e decidiu escalar Hepburn, a quem ele adorava, mas que já estava aposentada.
Para isso, ele escreveu uma carta para ela na máquina de escrever, elogiando sua carreira impressionante e pedindo que ela se juntasse à sua família cinematográfica – e, contra todas as probabilidades, ela aceitou. A atriz de Minha Bela Dama (que, a propósito, contracenou com Connery em Robin e Marian em 1976) realizou assim seu último papel no cinema e doou a maior parte do seu cachê para a UNICEF.