Durante décadas, o Esqueleto tem sido um daqueles vilões que ficaram gravados na memória coletiva quase sem esforço. Ele não precisa de um passado complexo ou explicações rebuscadas para funcionar, seu design é tão extremo e reconhecível quanto o de He-Man, seu oposto perfeito. Se o herói é uma fantasia hipermusculosa, o Esqueleto é o mal levado ao excesso, uma caveira que ri do mundo por baixo de um capuz roxo.
Mattel Inc. / Amazon MGM Studios
Esse imaginário tão direto, quase infantil em seu exagero, é precisamente o que o tornou um ícone instantâneo desde que apareceu nas prateleiras das lojas de brinquedos. E agora, com a nova adaptação de Mestres do Universo, o diretor Travis Knight parece ter entendido que não há nada a ser consertado. Seu Esqueleto busca abraçar essa teatralidade caricatural e levá-la ao cinema com total sinceridade, até mesmo nos detalhes mais literais.
A reinvenção de um vilão
Do ponto de vista de Travis Knight, o Esqueleto sempre foi um antagonista com mais camadas do que aparenta à primeira vista. "Esqueleto era um vilão realmente interessante. Ele parecia ótimo. Dava medo. Era engraçado. Era inseguro. E depois, é claro, ele tinha uma voz distinta", disse Knight à Empire sobre a encarnação original do desenho. Esse equilíbrio entre ameaça e ridículo é o que o tornou um vilão tão icônico na série de animação, e também o que o torna especialmente complicado de transpor para o cinema sem perder sua essência.
Essa mistura de tons foi, precisamente, o que atraiu Jared Leto ao projeto. Knight explica assim: "Eu queria que alguém criasse sua própria versão disso". E, longe de se limitar a imitar o Esqueleto clássico, a intenção era reinterpretá-lo de um lugar mais contemporâneo, sem apagar seu DNA.
"Jared nos contatou porque ama o Esqueleto e tem sua própria história com o personagem. Ele queria arriscar. E finalmente chegamos a algo com o qual estou muito feliz. Esqueleto é como a encarnação da masculinidade tóxica".
Mattel Inc. / Amazon MGM Studios
"O Esqueleto tem cara de caveira"
O caminho para chegar a este Esqueleto não foi tão direto quanto poderia parecer. Durante anos, as várias tentativas de trazer Mestres do Universo de volta propuseram mudanças estéticas que suavizavam sua imagem mais extrema. Uma delas propunha que o rosto do Esqueleto fosse uma máscara de caveira dourada, uma decisão que Knight rejeitou: "Eu disse: 'Que se dane! O Esqueleto tem cara de caveira'".
Para Knight, não é preciso buscar desculpas narrativas para um vilão que sempre funcionou a partir do puramente visual e simbólico. "É uma caveira viva, falante e com emoções, e pronto", esclareceu, fazendo referência ao fato de que, às vezes, respeitar o espírito original - mesmo que seja absurdo, grotesco ou excessivo - é a melhor maneira de se conectar com o que tornou um ícone grande desde o início.