Neste filme do diretor de Gladiador, Nicolas Cage brilha em um de seus melhores papéis
Maria Santos
Maria Clara decidiu estudar audiovisual para juntar o melhor de todos os mundos. Apaixonada pelo cinema independente e também pelos famosos filmes da sessão da tarde, não dispensa indicações e nem julga um filme pela sinopse.

Excêntrico e maníaco, mas também vulnerável e ponderado: em Os Vigaristas, Cage interpreta um golpista peculiar e astuto que tenta se reconciliar com o sócio e com a filha, de quem está distante.

Vencedor do Oscar, ex-ícone de ação, sobrevivente de uma fase repleta de lançamentos diretos para DVD (nos quais, mesmo assim, dava sempre tudo de si) e um ator profundamente apaixonado pela sua arte: Nicolas Cage é um talento de primeira linha com uma trajetória única, cheia de altos, baixos e muita personalidade!

Com mais de 100 filmes no currículo, Cage já encarnou de tudo — personagens excêntricos, introvertidos, audaciosos e covardes. Agora, você pode revê-lo em um de seus papéis mais marcantes: Roy Waller, de Os Vigaristas, sob o comando do lendário Ridley Scott.

E do que se trata o filme?

Warner Bros.

Roy Waller (Nicolas Cage) sofre de transtorno obsessivo-compulsivo e depende de medicamentos para controlar sua condição. Quando fica sem os remédios, precisa correr ao psiquiatra para renovar a receita. Nessas sessões, descobrimos que Roy abandonou uma mulher grávida 14 anos antes, e que tem uma filha que nunca conheceu.

Incentivado pelo terapeuta a entrar em contato com a jovem Angela (Alison Lohman), Roy vê seus sintomas começarem a amenizar. E, por sorte, Angela admira o "trabalho" do pai — o que acaba sendo muito útil. Enquanto tenta reconstruir essa relação, Roy planeja um grande golpe, em parte para acalmar seu sócio negligenciado, Frank (Sam Rockwell).

Exuberante, porém empático

Warner Bros.

O golpista neurótico Roy Waller não é Rob de Pig, Castor Troy de A Outra Face, Ben Sanderson de Despedida em Las Vegas ou Charlie Kaufman de Adaptação. Ainda assim, esse protagonista está facilmente entre os cinco melhores papéis da carreira diversificada e intensa de Nicolas Cage.

Apesar das inúmeras obsessões, da agorafobia e da germofobia, Cage não cai na caricatura. Entrega um homem ponderado, cheio de nuances agridoces, que lida com suas tendências criminosas, seu temperamento explosivo e suas excentricidades de forma complexa. Roy é facilmente subestimado — e isso beneficia tanto o desenvolvimento do personagem quanto o enredo do filme.

Fantasia e horror subestimado: A internet inteira não entendeu esse filme estrelado por Nicolas Cage

Os Vigaristas é uma farsa inteligente sobre um golpista com toques de ingenuidade, que questiona a facilidade com que rotulamos os outros, o peso do pré-julgamento e a dificuldade de lutar contra a própria imagem. Entre os fios tragicômicos do golpe e os laços familiares, a trama se desdobra com variedade e profundidade, mesmo com uma abordagem aparentemente discreta.

E Cage não está sozinho: ao seu lado, Sam Rockwell (Lunar) e Alison Lohman (Arraste-me para o Inferno) brilham tanto nas cenas extravagantes quanto nas introspectivas. Curiosamente, Os Vigaristas quase não foi dirigido por Ridley Scott! Robert Zemeckis (Uma Cilada para Roger Rabbit) e Steven Spielberg chegaram a ser cotados. Spielberg, inclusive, desistiu para dirigir outra história de golpistas: Prenda-me se For Capaz, estrelado por um jovem Leonardo DiCaprio.

Os Vigaristas
Os Vigaristas
Data de lançamento 24 de outubro de 2003 | 1h 56min
Criador(es): Ridley Scott
Com Nicolas Cage, Sam Rockwell, Alison Lohman
Usuários
3,8
alugar ou comprar

O filme está disponível para aluguel ou compra no Prime Video e Apple TV. Vale cada minuto!

facebook Tweet
Links relacionados