Uma das principais missões de James Cameron é aproveitar o máximo de novas técnicas e inovações no "fazer cinema" e Avatar é seu maior veículo para cumprí-la. Desde 2009, o cineasta investe o mais sofisticado da captação de movimento e até filmagens subaquáticas, mas faz questão de impôr limites quanto às tecnologias empregadas.
Cameron deixou claro que nenhum tipo de Inteligência Artificial generativa foi utilizada para produzir Avatar: Fogo e Cinzas. Por enquanto, ele tampouco pretende usar esse recurso nos próximos volumes da franquia pois crê que Hollywood precisa aprender muito sobre o uso consciente da IA antes de aproveitá-la:
"Não sou contra a IA generativa. Só queria ressaltar que não a usamos nos filmes de Avatar. Honramos e celebramos os atores. Não substituímos atores. Isso vai encontrar seu nível. Acho que Hollywood vai se autorregular nesse aspecto. Encontraremos nosso caminho. Mas só conseguiremos encontrar nosso caminho como artistas, se existirmos. Então, é a ameaça existencial da IA em larga escala que me preocupa mais do que tudo isso", argumentou em entrevista ao ComicBook.com.
James Cameron alerta sobre o uso indevido da Inteligência Artificial há mais de 40 anos
ALAMY
Tal posição de James não deveria chegar como uma surpresa, uma vez que o diretor posiciona-se em relação aos dilemas éticos por trás dos avanços tecnológicos há muitos anos. Tanto que o exemplo mais nítido de todos é O Exterminador do Futuro, que aborda o tema com evidência através do enredo de um ciborgue que ganha consciência e determina que a humanidade ameaça sua existência.
Cameron mencionou que, agora que a IA está tão presente no debate público e científico, as pessoas responsáveis pelo desenvolvimento e regulamentação da ferramenta enfim estão escutando o que ele tem a dizer sobre o assunto. Ele aponta que os especialistas devem debater sobre encontrar o "alinhamento", isto é, assegurar que as IAs "pensem" na ética, no bem-estar e na segurança humana como critérios essenciais para cumprir "prompts" e ordens:
"Eles chamam isso de 'Problema Skynet' e está sendo discutido. Se você entende de questões gerais de inteligência artificial, o alinhamento é um grande problema. Elas precisam ser treinadas, ensinadas e limitadas de forma que trabalhem apenas para o bem da humanidade. O problema é: quem toma essa decisão? Quem decide o que é bom para nós? Não conseguimos concordar em absolutamente nada", pondera.
James Cameron faz questionamentos do tipo em Avatar, visto que os limites da exploração de recursos naturais e da colonização em prol do avanço científico e do lucro é uma metáfora latente no conflito entre humanos e Na'vi.
Avatar: Fogo e Cinzas entra em cartaz nos cinemas brasileiros no dia 18 de dezembro.