Sempre me fascinaram os vilões de Alan Rickman, mas ele fez algo muito diferente nesta adaptação de Jane Austen e é um dos melhores trabalhos de sua carreira
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Sua carreira nos deixou personagens de todo tipo.

Alan Rickman será sempre lembrado como um dos atores mais hábeis interpretando vilões inesquecíveis. Desde seu papel como o professor Severus Snape na saga Harry Potter, até seu icônico Hans Gruber de Duro de Matar ou o inesquecível barbeiro demoníaco de Sweeney Todd, sua carreira é marcada por essa obscuridade magnética que cativou várias gerações de espectadores.

Isso fez com que muitos associassem Rickman exclusivamente com personagens mais vinculados à escuridão, mas seu talento ia muito além. Uma prova disso é quando interpretou o Coronel Brandon na versão de 1995 de Razão e Sensibilidade. Nela, nos mostrou seu lado mais nobre e romântico, demonstrando que sua versatilidade abrangia muito mais.

Razão e Sensibilidade
Razão e Sensibilidade
Data de lançamento 1 de março de 1996 | 2h 15min
Criador(es): Ang Lee
Com Emma Thompson, Kate Winslet, Hugh Grant
Usuários
4,2
Assista Agora na HBO Max

Em Razão e Sensibilidade, Rickman interpretou um homem reservado, distante do galã clássico e do protagonista carismático, e mais vinculado àquele tipo de bondade mais tranquila. Sua presença sutil e sua forma de atuar demonstraram como essa solenidade intimidante em outros papéis pode se transformar em ternura, paciência e serenidade.

Seu Coronel Brandon acabou mostrando como o amor verdadeiro pode ser silencioso, mas também muito poderoso. E talvez poucos atores conseguiram equilibrar ambos os extremos como ele o fez.

Abandonando o lado obscuro

Warner Bros. / Columbia Pictures

Rickman construiu grande parte de sua carreira interpretando vilões memoráveis. Apenas mencionar Hans Gruber ou Snape nos leva a pensar em sua voz pausada, seu olhar intenso e a precisão que colocava em cada fala.

No entanto, em Razão e Sensibilidade, Rickman faz algo completamente diferente. Seu Coronel Brandon não age a partir da força, mas abraça a ternura e se move a partir da confiança silenciosa de quem sabe o que quer. O carinho que sente por Marianne se expressa com gestos discretos, uma generosidade constante e uma lealdade que chega a emocionar sem necessidade de grandiloquências.

Em muitas adaptações de Jane Austen, o Coronel Brandon ocupa o lugar do herói sereno, um homem esquecido que depois é reconhecido. Rickman o transforma em algo mais, fazendo dele um homem com cicatrizes invisíveis, paciente e cuja lealdade e afeto crescem durante todo o filme sem pedir nada em troca.

A interpretação de Rickman encarna perfeitamente essa ideia de que o amor mais poderoso pode ser aquele que não se defende aos gritos. Essa mesma diplomacia que tornava seus antagonistas temíveis torna-se amável aqui, transformando sua solenidade em consolo e estabilidade.

Por isso mesmo, o legado de Alan Rickman também deve destacar o Coronel Brandon, um personagem modesto, mas cheio de coragem. Porque ele foi um ator capaz de incomodar e comover com a mesma força, em papéis diametralmente opostos.

facebook Tweet
Links relacionados