Há dois anos, o filme francês A Favorita do Rei teve a honra de inaugurar o Festival de Cannes de 2023, mas não o fez isento de expectativas e certa polêmica. O filme, dirigido pela atriz e diretora francesa Maïwenn, que também se encarregou de interpretar a personagem principal que dava nome ao filme, representava o retorno às telonas de Johnny Depp após um tempo afastado da indústria e exatamente um ano depois do final do midiático processo por difamação contra sua ex-esposa Amber Heard.
A presença do ator, que anos antes havia sido afastado das franquias Piratas do Caribe e Animais Fantásticos em relação aos seus problemas com a justiça após as acusações de agressão de Heard, era o principal interesse do filme, mas não foi suficiente para despertar o interesse dos espectadores. O filme, uma cinebiografia sobre a cortesã que conquistou o Rei Luís XV, passou sem pena nem glória aos olhos da crítica cinematográfica e foi um fracasso comercial, arrecadando pouco mais de 14 milhões apesar de ter sido uma das produções francesas mais caras do ano.
Quando Maïwenn contratou Depp, o ator ainda não havia perdido o processo contra o The Sun, mas mesmo depois que isso aconteceu, ela não considerou dispensá-lo de seu elenco. Ele, por sua vez, reconheceria que temeu que a atriz e diretora tivesse repensado sua decisão e que até mesmo tentou dissuadi-la: "Não fazia sentido para mim, tentei dissuadi-la. Mas ela não ouviu e teve muita coragem para me incluir em seu elenco", admitiu durante a apresentação do filme no Reino Unido. "O que quer que tenhamos feito, o que quer que tenhamos experimentado, acredito e espero que descubram que valeu a pena a agonia desta criança tentando fazer um filme por tanto tempo".
Why Not Productions
Finalmente, após ter trabalhado neste projeto desde 2016, as filmagens de A Favorita do Rei ocorreram em 2022 e o filme seria lançado na França no ano seguinte. No entanto, apesar de ter sido ela mesma quem se manteve firme em sua crença de que Depp era o único ator perfeito para interpretar o monarca e afirma que não se arrepende, em 2024 Maïwenn reconheceria em uma entrevista com o The Independent que as filmagens com o ator haviam sido problemáticas.
Segundo contaria a diretora francesa à publicação britânica, frequentemente Depp chegava ao set de filmagem pedindo mudanças no roteiro porque considerava que não era historicamente preciso o suficiente. E isso não lhe agradou.
"Johnny veio com uma nova versão do roteiro e eu não gostei. Não funcionava... Então filmei sem fazer as mudanças que ele queria... o que ele tomou como um insulto", lembraria Maïwenn, que utilizou o ressentimento de Depp para filmar uma cena que representasse a distância emocional entre Jeanne e Louis.
A partir desse momento, Depp começou a se mostrar distante com ela, não respondia às suas mensagens e só falava com ela quando sua equipe estava presente. "Estávamos esperando por Johnny a maior parte do tempo... Eu era a primeira a chegar ao set e a última a sair", lembrava a atriz, que reconheceria ter eliminado alguns diálogos do ator apenas por esse motivo, mas em nenhum caso por despeito. "Não havia tempo para ensaios. Pedi tempo, mas, por alguma razão, ele não estava disponível... Ele tinha uma coach, mas não pôde trabalhar com ela antecipadamente. Então... bem. Descobri que seu sotaque não era perfeito. Então várias vezes decidi cortar seu diálogo. Mas isso também aconteceu com os atores franceses. Coisas que acontecem".
Why Not Productions
Tenho que ser sincera. É difícil filmar com ele... Toda a equipe estava assustada porque ele tem um humor diferente e não sabíamos se ele chegaria a tempo, ou se seria capaz de dizer suas falas... Ou seja, mesmo se chegasse a tempo ao set, a equipe tinha medo dele.
"Não houve uma relação normal desde as filmagens", reconheceria Maïwenn, resignada, à publicação. "Para mim, Johnny é um gênio, mas está em outro mundo. Não posso me comunicar com ele". Antes, no entanto, eles se davam às mil maravilhas: "Mandávamos mensagens e falávamos por telefone. Era completamente simples e natural".