Atriz brasileira estreia filme em Hollywood baseado em sua própria história
Paola Piola
Paola Piola
-Gerente de Conteúdo
Fã de Friends clichê e apostadora de bolão do Oscar desde pequena!

Gabriela Kulaif fala sobre o emocionante BitterSweet, a parceria com Steven Martini e o desejo de atuar no Brasil

SMARTini Media

Gabriela Kulaif é um rosto ainda pouco conhecido do público brasileiro, mas está estreando em Hollywood. Radicada em Los Angeles, a atriz e produtora lança nos cinemas norte-americanos "BitterSweet", um drama com toques de comédia baseado em sua própria vida ao lado do marido, o cineasta Steven Martini - diagnosticado com autismo. A estreia aconteceu no dia 10 de junho em salas de Hollywood e Santa Mônica, depois de uma trajetória por festivais e três exibições no Marché du Film, durante o Festival de Cannes.

Em entrevista, Gabriela falou sobre o desafio de interpretar uma versão de si mesma, a parceria artística e afetiva com Steven, e o processo de cura que o filme proporcionou.

“Eu e a Gigi não somos a mesma pessoa”

Apesar de o filme ser autobiográfico, Gabriela faz questão de separar a pessoa real da personagem. “Por mais que a Gigi tenha sido inspirada em mim, eu trabalhei muito na construção dela. Tive aulas por três meses com um acting coach aqui em Los Angeles. Quando eu falo da Gigi em assuntos de produção, não falo de mim. Mas as emoções do que passei estão sempre presentes, em alguns momentos mais do que outros”.

A carga emocional fica especialmente evidente em cenas delicadas como a reconstrução de um dos momentos mais angustiantes na vida de Gabriela, quando Steven tem um episódio e a polícia precisa intervir, levando Sam, um de seus filhos. “A cena em que os policiais entram para levar o Sam foi super forte para mim. No set, algumas pessoas da equipe chegaram a chorar durante a filmagem. Acabou sendo a cena que a audiência mais se emociona”.

“Descobrimos que somos ótimos parceiros de trabalho”

Mas Gabriela e Steven Martini não apenas viveram a história, como também a contaram juntos. Ele escreveu e dirigiu o longa; ela produziu e atuou. “Descobrimos que somos ótimos parceiros de trabalho, e isso nos uniu mais ainda. O Steven é muito criativo e eu sou muito prática, nos completamos. A energia na produção foi super fluida, e o set de filmagem foi mágico. Viramos uma família”.

A arte como forma de cura

BitterSweet trata de temas complexos como neurodivergência, casamento e saúde mental, mas com uma abordagem leve e sensível. “Reviver uma história que foi tão traumatizante num cenário artístico me ajudou a contar uma nova história, uma história feliz”, conta Gabriela. “Para o Steven, com certeza a cura começou quando ele escreveu o roteiro. Ele reescreveu uma situação trágica e transformou em uma história mais leve, com mais humor”.

Ela faz uma analogia com terapias para trauma: “Algumas seguem exatamente esse caminho, de escrever e queimar, ou de reviver a situação de uma forma positiva. Reescrever a história”.

De si mesma para vilãs

Com o reconhecimento de BitterSweet, Gabriela já foi convidada para outros dois longas, agora interpretando personagens diferentes dela. “É muito mais complexo construir um personagem que não é baseado em si próprio. Em um dos filmes, minha personagem era uma vilã, então tive que entender toda a psicologia que me levaria a cometer um crime, sem julgamentos”.

Mesmo baseada nos EUA, Gabriela não esconde o desejo de voltar a atuar em português. “Amo meu país e sou muito orgulhosa de todas as conquistas que temos feito no cinema”.

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