A trilogia Batman, de Christopher Nolan, não teria sido a mesma sem uma observação peculiar de um executivo da Warner: "No fim, foi a chave para muita coisa"
Maria Santos
Maria Clara decidiu estudar audiovisual para juntar o melhor de todos os mundos. Apaixonada pelo cinema independente e também pelos famosos filmes da sessão da tarde, não dispensa indicações e nem julga um filme pela sinopse.

Em 2005, Christopher Nolan reinventou a história do herói da DC ao trazer uma abordagem mais realista, mudando para sempre as adaptações de super-heróis no cinema.

Não há dúvidas de que Batman, de Matt Reeves, tenha alcançado um nível de referência e espetáculo em sua nova releitura do clássico personagem da DC.

No entanto, a trilogia Batman - O Cavaleiro das Trevas, iniciada por Christopher Nolan em 2005 com o notável Batman Begins, ainda é reverenciada por muitos como a melhor adaptação das aventuras — e desventuras — do icônico justiceiro.

Mas tudo poderia ter sido diferente se um executivo da Warner Bros. não tivesse dado ao cineasta um conselho muito especial.

Foi assim que Nolan conquistou um novo público para Batman

Warner Bros.

O que conquistou o público — e grande parte da crítica — na obra de Nolan foi sua abordagem realista do universo do herói de Gotham, algo que o diretor britânico deixou claro desde que o estúdio o chamou para revitalizar a franquia após o, no mínimo, excêntrico Batman & Robin. Ele explicou isso em uma entrevista coletada no livro The Nolan Variations: The Movies, Mysteries and Marvels of Christopher Nolan:

"Foi tipo: 'Não, não, vocês nunca fizeram com o Batman o que fizeram com o Superman nos anos 70'. Essa ideia de mergulhar fundo, tratar o filme com uma ética de produção impecável, reunir atores consagrados e trazer o personagem para a realidade... não de forma sombria, mas como um filme de ação. E se fosse tão real quanto qualquer outro blockbuster do gênero? Eu vi imediatamente aquela lacuna na história do cinema."

Porém, se algo levou Nolan a buscar justificativas críveis para a natureza do Batman, seus combates e seu microcosmo, foram duas sugestões do produtor executivo do estúdio, Greg Silverman: que Batman Begins tivesse classificação indicativa de 14 anos (para atrair o público adolescente) e, principalmente, "um carro muito foda".

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Essa última ideia pôs a mente do diretor em movimento, e ele encontrou no veículo que uma base para ancorar sua visão no mundo real, dando-lhe maior profundidade.

"Lembro de pensar: 'Não sei... sério? Dá pra fazer isso funcionar?'. Eu disse: 'É um desafio enorme'. Acabou sendo o elemento central, até durante a escrita do roteiro. A gente ficava tipo: de onde isso viria? Como seria? Como justificaríamos na história? No fim, foi a chave para muita coisa. Pensamos: 'Como vender a ideia de um cara fantasiado? Qual é a mitologia? Como explicar isso?'", completou o cineasta durante a entrevista.

O Plymouth Barracuda dos anos 70 turbinado, dirigido por Robert Pattinson em The Batman, pode não ser tão reconhecível para o público mais jovem. Por outro lado, veículos como o Tumbler e o Batmóvel de Batman Begins ajudaram a consolidar a visão criativa de Christopher Nolan, marcando um antes e depois no cinema de super-heróis e inspirando uma geração de fãs.

Batman Begins
Batman Begins
Data de lançamento 17 de junho de 2005 | 2h 20min
Criador(es): Christopher Nolan
Com Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson
Usuários
4,5
Assista agora no Prime Video

Tanto a trilogia de Nolan quanto o filme estrelado por Pattinson estão disponíveis no catálogo da Max.

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