A Disney forçou a Pixar a fazer alterações em seu novo filme para tirar foco em cuidado com o meio ambiente
Eduardo Silva
Eduardo Silva
-Redator
Jornalista que ama filmes sobre distopias e animes de battle royale. Está sempre assistindo alguma sitcom e poderia passar horas falando sobre Yu Yu Hakusho e Jogos Vorazes.

Em outras palavras, para tornar a animação “menos woke”.

Em dezembro de 2024, ficamos sabendo que a Disney forçou a Pixar a remover um enredo de Ganhar ou Perder, sua nova série original para o Disney+, em que uma das jogadoras da equipe se reconhecia como trans (ou pelo menos como uma pessoa não-binária).

Durante anos, Hollywood tentou dar mais liberdade para contar histórias progressistas, mas isso mudou diante dos gritos daqueles que parecem ter aprendido a palavra “woke” ontem (e querem monetizá-la). E isso é apenas o começo de uma nova era de conservadorismo no setor... porque não, esse não é o único exemplo.

Uma mídia conservadora

Ao The Hollywood Reporter, ex-funcionários da Pixar, afetados pela mudança de direção da série Ganhar ou Perder, fizeram algumas declarações cheias de ressentimento lógico. Por exemplo, uma ex-editora assistente disse:

A Disney não está no negócio de criar conteúdo de qualidade há muito tempo. O objetivo deles é obter grandes lucros. Tivemos uma reunião com [o então CEO] Bob Chapek e eles deixaram claro que veem a animação como uma mídia conservadora.

E nessas entrevistas surgiu outro ponto interessante: outro exemplo em que a Disney colocou obstáculos no caminho de um filme. Esse é o caso de Saltadores, que será lançado em 2026 e que é (ou era) basicamente um apelo a favor do cuidado com o meio ambiente, como tantas séries e filmes anteriores.

Isso costumava ser considerado a única maneira de sobreviver ao futuro e agora, por alguma reviravolta do destino, tornou-se “woke”. Assim, a Disney pediu que eles diminuíssem a mensagem de amor pela natureza.

Infelizmente, quando todo o seu filme se baseia na importância de cuidar do meio ambiente, você não pode se afastar disso. A equipe teve dificuldade para descobrir o que fazer com essa nota.
Cara de Um, Focinho de Outro
Cara de Um, Focinho de Outro
Criador(es): Daniel Chong
Com Piper Curda, Bobby Moynihan, Jon Hamm
Data de lançamento 2026

O THR também lembra que Elio, centrado em um garoto que se junta a alienígenas, deveria ser lançado em março de 2025, mas acabou sendo adiado para junho. Além disso, seu diretor, Adrian Molina, que é um homem gay, deixou o filme no início do ano. Muitos acreditam que a Disney teve participação na tentativa de remover qualquer subtrama ou menção a comunidade LGBT+.

Com isso, eis o que está por vir: o paraíso para todos aqueles para os quais qualquer avanço social, por mínimo que seja, é considerado “woke”, uma palavra que, a essa altura, é totalmente desprovida de qualquer significado real, mas com a qual a Disney está mais preocupada do que com sua própria integridade artística.

O que significa o termo woke?

Para quem não conhece, o termo “woke” surgiu na comunidade negra dos Estados Unidos, originalmente usado como “estar acordado para a injustiça racial”. Entretanto, nos últimos anos, a palavra ganhou conotação pejorativa por parte da direita do país, descrevendo alguém politicamente progressista que se comporta de forma “extremista”.

Cara de Um, Focinho de Outro
Cara de Um, Focinho de Outro
Criador(es): Daniel Chong
Com Piper Curda, Bobby Moynihan, Jon Hamm
Data de lançamento 2026

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