Este suspense é bastante simples, mas também muito inteligente e ousado. Filmado em um único ambiente, ele contém 8 cortes de aproximadamente 4 a 10 minutos cada, dando a impressão de um plano-sequencia. A montagem foi tão bem feita e os cortes foram tão bem disfarçados que parecemos estar vendo cenas em um único plano.
A direção de arte e fotografia é expressiva. Cores pálidas, mas com uma iluminação clara e uma janela enorme na sala principal que faz questão de mostrar o lapso temporal que transcorre durante o filme. Figurino, linguagem corporal (devido à excelente interpretação dos atores), a forma como os ambientes são montados (os livros, o luxo) e até os diálogos demonstram e evidenciam a alta sociedade, a intelectualidade, e a sofisticação, que, inclusive, dão sustentação à história.
A utilização de travellings para a horizontal e os diversos ângulos experimentados, na sua maioria planos médios e de meio primeiro plano, demonstram que, ao mesmo tempo em que somos inseridos no universo da perspectiva dos dois personagens principais, queremos manter uma relativa distância deles, pois não identificamos nem simpatizamos com o tamanho da perversidade de suas mentes.
O melhor de tudo, na realidade, é a forma como o suspense é trabalhado. Não é somente pela trilha diegética e o silêncio, mas é uma tensão criada pela própria narrativa. São planos detalhe que dão foco a objetos que, inicialmente podem parecer banais, mas fazem toda a diferença. É um livro, é um baú, é um chapéu, e principalmente uma corda, ou seja, constantemente somos introduzidos a novos elementos que podem ou não incriminar os assassinos.
E, por fim, o desfecho consegue ser visualmente muito bonito. Alfred Hitchcock é, de fato, o Mestre do Suspense.