Média
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Gosto de cereja é um filme iraniano que contou com a direção e roteiro de Abbas Kiarostami. O filme foi ignorado pelo Oscar de 1998, mas venceu o Cannes. Na trama, acompanhamos Mr. Badii (Homayoun Ershadi), um homem rico que está pensando em cometer suicídio. Porém, diante dos seus planos, Badii precisa de alguém para ajuda-lo. O mesmo fez uma cova embaixo de um cerejeira, nas montanhas do deserto iraniano e deseja que alguém enterre o seu corpo no dia seguinte. O problema é que Badii não consegue achar um voluntário. A direção faz questão de mostrar o constrata de Badii, um homem que dirige uma Range Rove, bem vestido e que sai oferecendo um valor equivalente a um mês de trabalho na Teerã que atravessa um momento político e social delicado. Porém, existe uma angústia no olhar dele. Badii já tinha decidido tirar a sua vida, mas precisava que alguém apenas enterasse o seu corpo na manhã seguinte. Longe de ser um suicida de filme de suspense ou mesmo daquele que apelam para um melodrama, tanto que nem sabemos o motivo de sua decisão. O roteiro resolver dividir em 3 momentos distintos a partir das escolhas que Badii vai fazendo ao longo do filme. Inicialmente, ele tenta com um jovem Curdo, que é um recruta do exército iraniano, mas após revelar seus planos, o jovem simplesmente sai correndo. A segunda pessoa é um islâmico afegão muito religioso, que compreende melhor os motivos de Badii, mas diante dos seus preceitos religioso declina. Por fim, aparece um senhor, que se nega a dizer o nome, fala pouco sobre si e aceita não só ajudar Badii no suicídio, mas tbm de ficar com o dinheiro prometido. Aqui percebemos que esses 3 personagens abrem e fecham cada ato da trama. Nos primeiros 2 atos, vemos que Badii está seguro de si, sobre o que vai fazer. Tanto que nos longos diálogos, ele se apresenta como o dominante na conversa, ele é quem propõe. Mas no último, ele simplesmente mal consegue falar diante dos conselhos e do relato do último homem, que foi o único que não o encorajou. Essa ação aparentemente provocou uma dúvida em Badii e consequentemente em nós? Será que ele realmente é capaz de realizar tal feito? Nesse terceiro ato e com a apresentação desse último personagem, a trama ganha muita profundidade,pois é colocado em jogo a questão da memória, da afetividade e tbm do genuíno desejo de estar vivo e contemplar a beleza única da Terra. A sutiliza que a direção vai condunzindo não só os diálogos, mas a naturalidade de tudo ao redor. Em uma das cenas Badii senta em meio a uns homens trabalhando e um jovem pede pra ele tirar o carro,pois estava atrapalhando. Já perto do fim, após voltar para o museu e reforçar com o terceiro homem a sua decisão, simplesmente tira foto de um casal e depois vai para sua casa e toma os remédios. O desfecho pode gerar dúvidas e isso coloca a morte como uma ilusão, pois simplesmente vemos Badii indo de encontro ao seu fatídico plano, mas ao amanhecer vemos a equipe de filmagem do longa realizando o seu trabalho. Gosto de cereja é um clássico iraniano dos anos 1990, isso é inegável.
Assistir a um filme realizado no oriente médio proporciona uma experiência diferenciada. O idioma, a paisagem, e as vestimentas diferentes geram curiosidade. Gosto de Cereja tem cenas bem filmadas e é um filme bem feito, no geral. Tem um tom reflexivo, e é baseado em diálogos. O filme é lento e monótono, e pode desagradar espectadores mais impacientes.
Esse filme é extremamente deslumbrante. Do roteiro à sonografia. Tudo é maravilhoso e faz valer cada segundo. (10/10).
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