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Um relato de extraordinária pungência, porém, nada sentimentalista, de como pobreza, doença, desnutrição e ignorância podem existir em uma nação cristã civilizada, o documentário Terra sem Pão, de Luis Nuñuel, foi filmado na remota região montanhosa de Las Hurdes - uma pequena área ao norte da Estremadura, a menos de 100 quilômetros ao sul das glórias da cidade universitária de Salamanca - em 1932. Doenças físicas, psíquicas e sociais são calmamente observadas por uma câmera impassível. Buñuel tendo percebido que as imagens falariam em alto e bom som por si mesmas. Não obstante, ele sobrepõe planos das riquezas encontradas nas igrejas católicas. Buñuel ainda parece ciente de que, para aquele povo, a única libertação verdadeira do seu cruel sofrimento (a não ser que o Estado e a Igreja intervissem) está na própria morte e, certamente, muitas das atitudes tomadas para aliviar a fome e a dor deles parecem impulsionadas por um desejo perverso de extermínio. Cruel, frio, estranhamente belo e tão cáustico quanto enxofre.
Documentário-manifesto de Buñuel, partidário do republicanismo espanhol que lutava contra as forças conservadoras de Franco, que mostra a miséria da forma mais direta possível, aliada do sofrimento e da morte [a cena da criança morrendo lentamente e resignadamente "está parada ali há 3 dias" é particularmente chocante].