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Um visitante
3,5
Enviada em 17 de março de 2015
Delphine Seyrig era uma das grandes maravilhas do cinema na época.Ao lado do sempre ilustre Giorgio Albertazzi,conseguem fazer um belo par romântico nesse filme.Tudo é extremamente encantador,fotografia,figurino e trilha sonora.O caso mais interessante no filme,é quando os personagens principais se encontram.Já que A (Seyrig),já é uma mulher comprometida.E sempre desperta admiração em X (Giorgio).Um drama romântico que não pode passar despercebido.
Ambientado em um antigo hotel de estilo art déco, o filme segue a interação enigmática entre um homem e uma mulher misteriosa, com quem ele pode ou não ter se encontrado no ano anterior, em Marienbad. Considerado um dos filmes mais complexos e intelectualmente desafiadores da história do cinema, a obra permanece, até hoje, um enigma impenetrável. Como uma verdadeira obra-aberta, ela oferece uma gama infinita de interpretações possíveis, com cada leitura trazendo à tona novas camadas de significado.
O roteiro de Alain Robbe-Grillet é uma verdadeira obra-prima literária, enquanto a direção de Alain Resnais, com sua visão estética única, cria uma atmosfera de sonhos e surrealismo. As imagens que compõem o filme são memoráveis, refinadas e carregadas de uma elegância onírica que transita entre o real e o imaginário.
Vencedor do Leão de Ouro em Veneza e indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, O Ano Passado em Marienbad permanece um filme incomparável, uma verdadeira referência no cinema, cuja influência e profundidade continuam insuperadas.
Difícil definir "O Ano Passado em Marienbad". Trata-se de um filme intrigante, daqueles que desde o início deixam no espectador uma dúvida sobre o que está acontecendo em cena. E é difícil também responder esta pergunta, que é revelada aos poucos, pedaço a pedaço. Neste processo o filme capta o interesse do espectador numa espécie de hipnose, que faz com que não se consiga desgrudar a atenção dele. O ritmo lento torna-se um martírio, nem tanto por ser lento mas por tornar ainda mais estranho e intrigante o filme. Fica-se com vontade de decifrar o que está acontecendo, o que vai acontecer, de alguma forma. O fascínio que o filme causa lembra um pouco "Cidade dos Sonhos", também por causa de seu final um tanto quanto aberto e abstrato. Muito bom filme, mas não recomendado aos que preferem filmes que deixam dúvidas no ar.
O que menos importa no filme é o enredo. Antes a forma como se configuram diversos tempos narrativos, flashbacks e flashbacks dentro de flashbacks que compõem a talvez mais intrigante tessitura já realizada com a montagem cinematográfica. As situações levam ao (re) encontro entre uma mulher (Seyrig) e um homem (Albertazzi), que alega ter desfrutado de sua companhia em outro local e a presença do provável marido da mulher (Pitoëff) nas imediações. Utilizando interpretações não naturalistas, em que por vezes o elenco permanece estático, assim como repetições ao infinito de situações e diálogos/monólogos, o filme consegue de forma ímpar refletir algumas das sensações ligadas à memória que mais dificilmente se poderiam reproduzir a contento na forma cinematográfica, como a sensação de se estar vivendo uma situação que já ocorreu tal e qual anteriormente.
A estética nouvelle vague de Resnais aliada ao nouveau roman de Robbe-Grillet impressionam neste filme. A análise da polifonia na fala de X nos deixa em dúvida se realmente a personagem A se encontrou ou não com ele no ano passado.
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