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Alan
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3,0
Enviada em 22 de dezembro de 2025
O filme é baseado na vida do diretor Edward Yang enquanto jovem. Contextualiza bem o cenário político e social de Taiwan nos anos 60. Porém, a história das gangues juvenis não foi narrada de forma interessante. O filme tem um ritmo lento, e se torna cansativo em razão de sua duração. Melhora na parte final, mas não o suficiente para mudar a impressão a respeito do filme. O diretor Edward Yang estava mais inspirado no filme As Coisas Simples da Vida (2000), um filme realmente belo, poético e com uma temática mais adulta.
Poucas obras conseguem tanto êxito como essa, principalmente em como como Yang excede essa quantidade de tempo para um desenvolvimento cultural e psicológico. Ao ponto de não somente inserir o público no ambiente, mas de genuinamente fazer dos personagens um reflexo social de época.
Yang envolve a narrativa numa abordagem tão orgânica que mesmo tendo varias temáticas elas são entreladas de um jeito muito natural, o desenvolvimento gradativo escancara a influência do ambiente na formação personalidades, e mudanças comportamentais. É muito direto as tendências que o Si'r acaba seguindo, contudo fica implícito não ser a alternativa imutável, Sly seguiu um caminho diferente mesmo após passar por situações semelhantes ao protagonista, por exemplo. Si'r apenas não tinha estabilidade o suficiente para mudar seu curso como alguns ao seu redor.
Me espanta o filme não se contentar apenas em embasar uma visão social, é fascinante perceber como o Yang lida com a psique das pessoas, principalmente como o Si'r parece estar dentro de um ostracismo íntimo, ou como Cat é a idealização imaculada de esperança. O relacionamento deles sempre me soam sinceros e verdadeiros, é um domínio excepcional do texto para ser crível e efetivo. Existe até um esmero em como cada faixa etária se comporta no meio do contexto geral.
Sempre há um influxo cultural sendo debatido, como o fato de uma das personagens indagar que mesmo após uma guerra, os chineses (refugiados em taiwan) se apropriam de costumes e músicas japonesas. Assim como em Taipei Story — o sonho americano vem enraizado na população taiwanesa, justamente pela preponderância mediadora à construção estrutural do País, até o fato de usarem o dólar como moeda funciona como embasamento.
Me parece que a obra inteira está sempre argumentando sobre seus desfechos narrativos, até porque todos os aparatos sociais causam a crise na família, que subitamente demosrona para mostrar as faces que o diretor busca. Uma conclusão amarga, entretanto, brilhante justamente por solidificar os pilares de discussão levantados. Por fim, fica quase impossível não defender a ideia de que estamos falando sobre uma obra prima do cinema.
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