Dirigido por Ridley Scott – que vinha de Os Duelistas (1977) – Alien marcou o final dos anos 1970 como uma das ficções científicas mais originais até então feitas, com elementos de terror e visual repleto de jogos de luz, além de revolucionário e ter influenciado dezenas de filmes em seguida, Alien surgiu da impossibilidade do roteirista Dan O’Bannon de terminar um roteiro para aquilo que viria à ser a versão cinematográfica que nunca foi pra frente de Duna dirigida por Jodorowsky. Este é um destes filmes definitivos da história do cinema, é tão genuíno que chega até ser meio alienante da minha parte ter que acrescentar alguma coisa a mais sobre ele. E de fato, tudo que já falaram sobre o longa é verdade, Scott faz aqui um estudo sobre o medo ao desconhecido como poucos, todo o teor atmosférico e estética sci-fi dark do longa são tamanha elegância, deixando-nos uma experiência atemporal. Mas se existe algo que eu possa criticar na obra, se dar muito de sua estrutura, que é na maioria das vezes bastante datada.
Em questão de designer de produção e cenários, o filme continua excelente, porém em questão de ritmo, o filme pode ser bastante lento para as nossas sensibilidades atuais do que seria um "entretenimento pipoca", não que isso chegue a me incomodar, mas à de se confessar que o filme assistido hoje em dia, não é o mesmo que foi à 42 anos atrás. O que mais envelheceu aqui disparado foi à concepção do Xenomorfo, o diretor utiliza aqui muito do que foi estabelecido anteriormente por Steven Spielberg no longa Tubarão (1975), ao propor um terror muito mais subjetivo e investir principalmente na construção do suspense, e quando a câmera decide apresentar o seu antagonista, creio que nas sequências em que ela apenas aparece de relance, o animatronic da criatura é simplesmente fenomenal, já nas sequências em que ele é mostrado de corpo inteiro, é muito perceptível a presença de um dublê fantasiado. Mas nada disso importa de verdade, porque Xenomorfo é simplesmente fantástico, eu não consigo pensar em uma figura monstruosa mais emblemática e icônica do que é a apresentada aqui. É um ser imponente, assustador e que remete muito à seres lovecraftianos.
E tudo isso se transparece muito bem por volta do longa. Desde à concepção de cena até à estética, este é um filme muito forte. O elenco aqui também à de se destacar, no geral eu diria ser um elenco funcional, enbora não exista nenhum personagem que seja particulamente muito aprofundado, eles conseguem conquistar a nossa empatia e nos fazer temer pelo destino de cada um – e acima de tudo, são personagens que pensam com o cérebro ao invés da bunda – acredito que os que mais se destacam aqui sejam Ian Holm, que consegue formar uma figura bem enigmática em seu Ash, e lógico Sigourney Weaver, que por mais que a sua Ripley esteja muito longe de ser aquela heroína badass motherfucker que viria à ficar conhecida nas continuações, consegue ser efetiva ao fazer uma personagem simpatisavel, a sequência final onde ela precisa enfrentar o Xenomorfo sozinha antes (e depois) da destruição da nave é fácil uma das mais tensas que o cinema já produzil.
Em suma é um filme espetacular, e que merece ser relembrado por diversas gerações. Muito se discute hoje em dia sobre o que seria uma boa ficção científica ou um bom filme de terror, mas poucos parecem reconhecer que em 1979 Ridley Scott fez uma mistura de ambos os gêneros com total maestria, deixando no processo um filme inteligente, tenso, enigmático e acima de tudo, um verdadeiro clássico.