Já vou avisando de antemão. Só recomendo este filme para quem já viu o primeiro e gostou muito como eu, caso contrário, você poderá acabar dormindo na sala de exibição assim como um senhor que estava na minha fileira e roncava descaradamente. O filme, mais uma vez baseado em histórias da graphic novel criada por Frank Miller (que não só divide a direção do longa com o Robert Rodriguez, mas também assina o roteiro e faz figuração no filme), é uma excelente miscelânea de filme noir, com algumas cenas de ação e exageros cênicos. Quem já viu o primeiro filme, já sabe o que esperar, pois este filme segue a mesma linha: clima policial para narrar histórias interligadas por personagens caricatos, mas bem interessantes. Violência sobre-humana, estereótipos de um policial burro, prostitutas vingadoras, um malandro metido a espertinho, machões inveterados, um poderoso acima de tudo e de todos, femme fatales... tudo está lá, em preto, branco, vermelho, azul, verde e amarelo... As cores vibrantes contrastam com preto e branco de maneira muito impactante e bonita. Não há mais a novidade do estilo visual impressionante do primeiro filme, pois tudo soa repetido, adicionando o fato que os efeitos 3D em si se mostram irrelevantes, mas isso não significa que as imagens sejam decepcionantes. O elenco em si é um show a parte. Revemos os personagens do longa anterior nas mãos de Jessica Alba (com sua voluptuosa Nancy Callahan), Mickey Rourke (com seu incansável Marv,
que havia morrido no filme passado e não é explicado seu retorno, mas enfim...
), Bruce Willis (com
seu fantasma de
Hartigan), Rosario Dawson (com sua voluntariosa Gail) e Powers Boothe (como o odioso Senador Roark). Michael Clarke Duncan, falecido em 2012, foi muito bem substituído por Dennis Haysbert (personagem cuja importância é bem maior nesse segundo filme), e Clive Owen, sabe-se lá porque, foi substituído por Josh Brolin na pele de Dwight. A atriz que faz a prostituta-ninja Miho, também foi alterada, mas o efeito é o mesmo. E ainda temos o plus de personagens não vistos no longa anterior, com destaque para Johnny (Joseph Gordon-Levitt, muito bem por sinal), Joey (Ray Liotta resurgindo do limbo), Kroenig (na pele de Christopher Lloyd), Mort (Christopher Meloni, bem diferente dos papeis que o tornaram conhecido) e principalmente Ava (Eva Green, mais uma vez arrancando suspiros da ala masculina, com a Dama Fatal do título, em mais uma interpretação incrível de femme fatale que lhe cai tão bem). A narrativa, alterando as histórias dos personagens, é bastante interessante, embora o desenvolvimento da história da Dama Fatal é realmente a melhor de todas, não desmerecendo as outras, que também são muito boas. Como disse no começo, é um filme para fãs. Não espere encontrar ali um ótimo filme, se você não curte exageros elevados à milésima potência. Há ainda diálogos muito bem bolados (e que causam até mesmo reflexão do jogo de corrupção e poder, por exemplo, em se tratando do ultrajante Senador Roark), cenas impressionantes (
como a do corte coletiva de cabeças com espadas afiadas
) e a sensação de entretenimento visceral de qualidade. Pena que eu tenho certeza que muita gente não vai gostar, mas se você estiver com mente aberta, é capaz de se divertir bastante com o trash cool que é o filme.