A barca explodiu. Aconteceu na rua do canal, mais ou menos às 11 horas. Estava lotada. Era um dia festivo especial. Durante as investigações preliminares, foram encontrados pedaços de fios azuis, restos de componentes elétricos que pairavam à beira do cais. Sob a ponte, combustível queimado retido. Isso indica que o terrorista empregou ANFO como material explosivo. O ANFO foi estocado em barris ou contêineres de plástico, posicionados em uma minivan ou utilitário e carregado para a área de cargas da barca. Ao explodir, o material gerou uma forte onda de calor que se espalhou pela barca e atingiu os tanques de combustível e os fluidos térmicos, transformando o veículo aquático em uma grande bomba de poder maior. Também próxima ao cais, foi encontrada uma vítima peculiar. Estava impregnada de PETN, mais uma substância explosiva artesanal. O mistério de sua aparição é uma pista que pode solucionar o caso. Mais evidências poderão ser encontradas sob os entulhos chamuscados no rio contaminado. Mas pode levar dias. Talvez meses.
Doug Carlin trabalha na ATF, agência federal de álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos, embora esse último item não conste na sigla oficial da agência. Ele nasceu e cresceu em Nova Orleans, embora não tenha família na cidade. Costuma viajar de bonde para relaxar e se inspirar e sua perícia em técnicas de fabricação de explosivos vai ser essencial para desvendar esse caso e permitir justiça às mais de 500 vítimas desse ataque horrendo, incompreensível e injustificável.
Claro, o filme é ousado em vários sentidos. O terrorista é literalmente anti-americano, embora se apresente como um herói patriota. Ele prevê um futuro de ruínas para seu país, de guerra, um futuro diferente e se vê motivado pelo destino a cumprir sua missão, um agente do caos que planeja entrar para a história como alguém que tentou consertar o seu país. Esse detalhe constitui tanto qualidade quanto o maior problema do filme, já que o terrorista é preso e condenado pelos seus crimes (o que é lógico para um antagonista). Sabemos que ele não é motivado por vingança, mas ele é contrário ao sistema de seus país. Ou seja, nesse ponto reside um dilema delicado que se condensa na narrativa, apesar de ser válido.
O roteiro é nitidamente inovador, não podemos negar. A história em si é inteligente e bem escrita, embora contenha algumas falhas que podemos relevar. O filme é brilhante, mais ficção científica do que caçada policial, complexo em alguns detalhes, requerendo participação de cientistas como consultores, mas é uma viagem fabulosa. Vale a pena assistir.