Críticas mais úteisCríticas mais recentesPor usuários que mais publicaram críticasPor usuários com mais seguidores
Filtrar por:
Tudo
Marcio S.
7 seguidores
17 críticas
Seguir usuário
5,0
Enviada em 31 de julho de 2015
Com uma filmografia extensa e a característica de ser um cineasta autor, Woody Allen revisita temas em seus filmes para ratificar suas ideias e falar sobre temas que não cansamos de refletir. Em Match Point ele faz um filme que toca no tema de seu filme Crimes e Pecados, porém em um tom mais sombrio. Aqui ele não utiliza um narrador e não tem nenhum alívio cômico. Ele sempre quis ser um diretor de dramas e apesar desse não ser exatamente um (talvez misturado com suspense), Match Point é um filme sério, com uma fotografia muito boa, roteiro perfeito e com um personagem que merece ser estudado. Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) é um tenista que desistiu de continuar jogando em torneios e resolve dar aulas em um clube da classe alta londrina. Lá ele conhece Tom Hewet (Matthew Goode) filho de um empresário rico. Tom tem um relacionamento com Nola Rice (Scarlett Johansson) que é uma aspirante a atriz, porém não consegue trabalho. A mãe de Tom não a vê com bons olhos e critica o relacionamento de seu filho. Quando em uma festa Wilton conhece Rice, ele acaba se apaixonando por ela. Match Point foi indicado ao Oscar em 2006 na categoria de melhor roteiro. Mais uma entre tantas que Woody Allen já teve. Mas não é para menos. Ao prestarmos atenção na estrutura que conduz cada momento da história adiante é como se fosse uma escada que você sobe degrau a degrau, sem pular um ou que sem que fiquemos parados muito tempo no mesmo. Há detalhes ricos e interessantes que permeiam a narrativa a fim de conduzi-la de modo que se prepare para o final. Assim vemos Wilton lendo Crime e Castigo de Dostoiévski e temos a informação de que onde Rice mora há um aumento da criminalidade. É algo que as vezes passa em um diálogo despercebido, mas que prepara o espectador pra o final. Se o roteiro é algo importante no filme sua fotografia também se impõe. Cria-se uma atmosfera soturna, principalmente em cima de nosso protagonista. Os enquadramentos também conseguem transmitir ideias, como por exemplo quando nosso protagonista para em uma galeria de arte e ao fundo vemos apenas uma pintura de um ser humano e suas mãos parecem que estão sugerindo algo. A cena da chuva e a entrada em um jardim suspenso parecem algo primitivo que busca em nosso inconsciente a concepção do pecado original. Há algo de obscuro em nosso protagonista. Além do roteiro e da fotografia a interpretação de Meyers compõe bem seu personagem. Isso nos leva a realizar um estudo interessante sobre o personagem, que tem a sorte como visão de que ela é a rede que divide a vida entre perdedores e ganhadores. Analisando Chris Wilton se nota com clareza seu desejo de fazer parte da sociedade das classes mais abastadas. Assim ele parece ler pensadores e cita-os de maneira que permita ele entrar naquele mundo rico. Até mesmo seu gosto pela música diz isso, mas quando vai em um restaurante, enquanto seus companheiros pedem algo mais rebuscado ele pede simplesmente um frango assado. Acredito que ali Woody Allen quer nos lembrar que ele não faz parte daquele mundo. Sua incerteza em dizer o que quer fazer de sua vida é algo que é refletido na indecisão dele largar ou não sua esposa. A única certeza que o espectador vai formando ao longo do filme é que ele não quer perder por nada a vida que conquistou. Chegando a essa conclusão, que sua individualidade deve prevalecer e que perder a vida que ele tem não vale a pena, ele deve contar mais uma vez com sua sorte. Falando de sua sorte e fazendo uma análise do tênis, ele cita o quanto a bola nesse esporte por mais que raspe na rede deve cair do outro lado. Porém as vezes a bola pode cair no própeio campo. Quando isso acontece parece que Woody Allen quer dizer que mesmo se perdendo, pode-se ganhar. É o caso do rumo da vida do protagonista. Ele perde qualquer dignidade que poderia ter ao realizar sua ópera. Ele perde qualquer coisa de bom que o ser humano poderia ter, mas ao seu ver ele só ganhou, porque continuou a ter a vida que sempre desejou. Isso só depõe a favor da ideia de mundo de nosso autor. Seu personagem segue sua individualidade ao extremo e o que e importa é exatamente ele mesmo. Isso acaba nos levando a algo maior, como ver em Wilton a sombra de uma sociedade preocupada única e exclusivamente com si mesma e que o objetivo é ter aquilo que deseja custe o que custar e que se para isso deva-se dar a sua alma que assim seja. Woody Allen acerta ao optar na sua trilha sonora ao colocar óperas. O filme é uma tragédia grega e nosso protagonista não cita Sófocles à toa ou somente para o contexto do filme. Há uma clara divisão entre amor e luxúria, individual e coletivo, verdade e mentira, sorte e azar e tudo dividido pela rede imaginária da vida. Ao acabarmos de assistir ficamos estarrecidos e impactados por um retrato e uma visão de um mundo em que individualidade e sorte prevalecem e sendo assim qualquer intervenção divina parece estar longe do planeta que chamamos de Terra.
Os novos ares europeus que Woody Allen passou a respirar a partir da década passada definitivamente o fizeram bem. Nos últimos anos, um cineasta cansado de assinatura pueril, sem dúvidas. Mas é inegável que ainda existem em seu catálogo mais recente obras que contém o que há de melhor no realizador, como Meia-Noite em Paris e este Match Point, seu primeiro filme quase totalmente internacional. Um dos últimos grandes filmes do excêntrico artista do cotidiano. Um tenso thriller filosófico sobre classe e identidade, Ponto Final é interessante e estimulante a cada cena, nem parece que é o filme mais longo do diretor, pois os diálogos são tão bons e as situações que retrata tão identificáveis que a hora passa voando. A direção de Allen é astuta e segura, e é mais que prazeroso andar por Londres no mesmo ritmo e vigor que ele costuma andar por Nova York. Este filme é a verdadeira definição da palavra ''sútil'', um inteligente mosaico social desenvolvido magistralmente através dos diálogos, da música, e das rimas visuais. Scarlett Johansson está magnética como a sensual e emotiva Nola Rice e Jonathan Meyers está surpreendente entregando uma atuação sólida e expressiva. Um conto deliciosamente macabro e moralmente desafiador sobre destino, sorte, ambição e culpa. De longe o melhor filme de Allen dos anos 2000. NOTA : 9.5 / 10
É incrível a forma com que Woody Allen consegue passar de um extremo a outro, das comédias escrachadas de que ele está acostumado, até dramas intensos como este. Match Point é um filme inteligente como poucos, usando a metáfora como principal contraponto narrativo, fazendo com que simpatizemos e odiamos do personagem principal ao mesmo tempo. Filmaço!!!!!!!
O filme é inteligente e mantém o suspense do início ao fim. O personagem principal arrisca com a sorte, que está sempre do seu lado, mesmo quando a situação parece insolúvel. Há um forte componente psicológico na conduta do protagonista. Scarlett Johansonn e Jonathan Rhys-Meyers formam uma boa dupla. A trilha sonora é ótima. O enredo lembra um pouco "Um Lugar ao Sol".
Excelente filme! Sacada de mestre fazer referência, sutilmente, à algumas passagens do livro "Crime e Castigo", de Dostoiévski. Roteiro inteligente, bem amarrado, perfeito... Bem condizente com a maestria do maravilhoso Woody Allen!
Como de costume, mais um filme incrível do Woody Allen. Filme que leva a reflexão do que o ser-humano é capaz. Atuações perfeitas de Scarlett Johansson e Jonathan Rhys Meyers.
Filme extremamente inspirado na obra de Dostoiévski e cena por certo copiada da cena do crime de Crime castigo. O protagonista é um tenista em final de carreira que dá aulas para sobreviver e tem a oportunidade de se casar com uma garota rica, mas entra em um triângulo amoroso onde se assassina a amante para não perder a boa vida e se livrar do problema. Em suma, trilha sonora que nops ambienta na pressão psicológica sofrida pelo protagonista. O grande destaque é trazer a tensão que a reflexão moral do crime causado nele, traz reflexões sobre questões morais existenciais humanas . Ao contrário de muitos, achei inteligentíssima a reviravolta em desvendar o crime. Eu particularmente não acha a Scarlett tão bonita assim, mas cabe perfeitamente no papel e interpreta de maneira deslumbrante. Em suma: filme voltado ao público mais intelectualizado, que tem contato com a obra de Dostoiévski e a tragédia grega
Caso você continue navegando no AdoroCinema, você aceita o uso de cookies. Este site usa cookies para assegurar a performance de nossos serviços.
Leia nossa política de privacidade