"Quem vigia os vigilantes?" Eis a questão. Difícil, mas não impossível de ser responder.
Watchmen é, sem dúvida, uma das maiores Hqs de todos os tempos, com um teor adulto e complexo, abordando temas transcedentais e atemporais. Como obra literária é impecável, mas como filme não está nem perto da sua grandiosidade potencial.
O roteiro é impecável, mas esse mérito recai sobre Alan Moore, e seu peculiar olhar niilista. Já aos aspectos condizentes com o longa-metragem são falhos: A caracterização dos uniformes dos personagens são muito ruins, destoando bastante do original. Ozzymandias parece um manequim do FashionWeek, enquanto o Espectral poderia ser uma das SpiceGirls.
As cenas de ação são desproporcionais ao conceito original, que era mostrar personagens sem superpoderes (com exceção de Manhattan). Chega a ser risível alguém com o porte físico de Rorschach jogando pessoas longe com se fossem sacos de batatas. Algumas cenas de luta são muito longas sem propósito algum se não atender a sede de sangue dos produtores. O uso excessivo de slowmotion tbm atrapalha bastante. As melhores cenas são quando a câmera pára por um instante, colocando o espectador no papel de uma testemunha abismada com a capacidade de luta dos heróis. Infelizmente esse recurso é pouco aproveitado, sendo sufocado por escolhas menos inspiradas.
Takes das gotas de chuva se repetem em demasia, a caracterização de maquiagem da mãe da Espectral é péssima, e os closes "casuais" de jornais, como índice contextualizador tbm acabam soando pouco inspirados.
Porém há alguns acertos geniais: Alguns ângulos de câmera são propositalmente guiados à mostrar os pneuzinhos abdominais do Coruja, ressaltando que ele é um herói aposentado, um homem comum. A sutileza com q isso é feito é genial. Igualmente é a caracterização do Comediante, com um corpo musculoso, mas em ruínas pela idade. Passa a ideia perfeita de um homem desregrado e devasso. A fotografia da cidade é ótima, embora falte protagonismo nas imagens.
Todos os personagens são ótimos, em especial Rorschach (o queridinho do povo), Ozzymandias, e Dr. Manhattan. Este último é o mais complexo. Em alguns momentos parece totalmente uma figura sem humanidade, mas se analisarmos bem suas decisões ainda vemos alguém sentimental, talvez o mais sentimental de todos os heróis.
Ozzymandias é o vilão perfeito, é uma pena que a trama propositalmente o ponha de lado na maior parte. Porém é na figura dele que repousa todo clímax ético da saga: "Matei Milhares, Salvei Bilhões". Que frase!
No momento que alguém é posto do pedestal de herói à ele cabe tomar as decisões difíceis. O poder é sempre envolto em segredos, e, portando, seu portador muitas vezes acaba alienado por ele. Eis o poderoso paralelo que Watchmen traz - Da mesma forma que Ozzymandias e Dr. Manhattan tinham o poder para passar por cima de vidas humanas para executar seu plano, os governo dos EUA e U.Sovietica estavam dispostos a sacrificar a humanidade por seus interesses políticos. É uma grande análise dos fundamentos do poder, e no final os inocentes é quem pagam o pato.
Então qual a resposta para a pergunta "quem vigia os vigilantes"? Eu digo: A resposta é o Panótipo. Todos devemos ser vigilantes, pois não importa o poder que alguém detenha, jamais será maior que o poder do povo unido e da verdade. Até Rorschach percebeu isso, porém, tarde demais.