É verídico dizer que a saga Exterminador do Futuro é uma das franquias que sofre nas mãos dos estúdios hollywoodyanos. De Linda Hamilton a Emilia Clarke a franquia já sofreu várias repaginações e até mesmo reboot, vide o último e decepcionante O Exterminador do Futuro — Gênesis (2015). Porém, foi lá no ano de 1985 que a franquia chegou de mansinho nos cinemas como uma produção independente do diretor James Cameron, que apenas há 3 anos, exatamente em 1981, havia dirigido o sofrível Piranhas II — Assassinas Voadoras (!). Graças aos deuses do cinema, a criação de James Cameron se revelou uma aventura excelente e que contribuiu bastante para o cinema com suas imagens — e a coragem de fazer algo parecido ainda no século XX. Desde então Cameron ganhou merecido destaque, e depois de dirigir o excelente Aliens, O Resgate (1986) e O Segredo do Abismo (1989), o canadense voltou para a sua mina de ouro para dirigir O Exterminador do Futuro 2 — O Julgamento Final (1991). Tão ótimo quanto o primeiro — mas dessa vez contando com um ar de aventura a mais — Cameron fechou a jornada da família Connor e do robô T-800. Mesmo assim, isso não foi o suficiente e a franquia não conseguiu se esconder das mãos dos caçadores de recompensa de Hollywoody, e em 2003 chegou aos cinemas a desnecessária continuação de Julgamento Final: O Exterminador do Futuro 3 — A Rebelião das Máquinas contando apenas com Arnold Schwarzenegger do elenco original. E com A Rebelião das Máquinas iniciou-se um efeito dominó sobre a tão aclamada franquia de James Cameron: não importasse o quanto o outro fosse ruim, eles continuariam batendo na tecla e fazendo mais continuações desnecessárias desrespeitando a clássica duologia da década de 80. Dito isso, em 2009 veio o duvidoso O Exterminador do Futuro — A Salvação. E em 2015 o recente Gênesis, afundando de vez todo o prestígio que a franquia mantinha em Hollywoody. Mesmo assim, apesar de todo esse vai-e-vem nas mãos dos estúdios, apenas um conseguiu se destacar — apesar de muito pouco. E esse um seria O Exterminador do Futuro — A Salvação.
A nova sequência se situa no ano de 2018, e tem como John Connor dessa vez o jovem Christian Bale. A trama segue a designação de John para liderar a resistência humana ao domínio das máquinas da SkyNet. Os problemas de Connor aumentam quando Marcus Wrihgt (Sam Worthington), um desmemoriado surge na resistência, e agora o líder se vê na tarefa de descobrir de onde Wrihgt veio, ao mesmo tempo que a SkyNet prepara um ataque destrutivo.
Depois de Cameron fechar a saga do T-800 no ano de 91 e não deixar absolutamente nenhuma ponta solta, e depois de um terceiro filme sofrível que oferecia apenas uma péssima reciclagem dos clássicos de Cameron, o que o filme do diretor McG, conhecido principalmente por dirigir As Panteras (2000) e As Panteras — Detonando (2003), poderia oferecer de novo para enriquecer a saga do exterminador e recuperar seu fôlego nos cinemas? Isso mesmo, exatamente nada. Mesmo assim Mcg e o roteirista Michael Ferris buscam explorar — com a tecnologia 3D já avançada — um ponto de vista interessante: contar uma história do Exterminador do Futuro que finalmente se passa no futuro!
Mesmo assim isso de fato não é garantia para que o material dê certo. A ambientação completamente futurística — e apocalíptica — pode ter estragado o filme? De todo, não. Mas vamos aos poucos.
Um dos erros da sequência de 2003 fora que tinha sido bastante morna, com um ritmo lento bastante inferior ao primeiro Exterminador do Futuro — e inclusive ao Julgamento Final. Sendo assim, essa sequência de 2009 pretende acertar dois pontos: ao mesmo tempo que ela tenta recuperar todo o ritmo frenético do filme de 1991, ela tenta superar — e muito! — o ritmo morno do longa de 2003.
O resultado é claro: querendo ou não O Exterminador do Futuro — A Salvação sai completamente de aventura e se joga de cabeça na ação com uma atmosfera bastante militarizada. E apesar desse ser um retrato bem fiel quanto ao futuro do jovem John Connor, toda a ação frenética de A Salvação destoa do clima principal do filme — que é o sci-fi. Enquanto os filmes de Cameron continham poucos elementos de ficção científica mas mesmo assim conseguiam ser uma, esse aqui tem e não consegue. E apesar desse ritmo frenético ser uma melhora visível ao antecessor, os fãs mais saudosos não vão aprovar o resultado.
As cenas de ação computadorizadas e ricas de efeitos especiais e a ambientação militar estão lá e esse é o novo que o filme de McG oferece. Apesar disso, como uma digna continuação de um clássico, o diretor também traz o velho — completamente repaginado.
É Chistian Bale quem dessa vez vive John Connor e o que pode se dizer do personagem definitivamente não é muito. Em 1991 Connor havia sido interpretado — e eternizado — pelo mirim Edward Furlong. Já em 2003 quem encarava a responsabilidade era o jovem Nick Stahl. E toda essa mudança abrupta quebra automaticamente a jornada do protagonista que o público faz questão de acompanhar e transforma o John Connor de Christian Bale — que nesse longa dá uma interpretação longe de vergonhosa — num personagem oco e vazio longe de ser queridinho pelo público.
A Salvação nos traz pela primeira vez um novo Kyle Reese, dessa vez interpretado por Anton Yelchin. Diferente do personagem de Bale, Reese está em suas origens e sendo assim o personagem conta com certo desenvolvimento, enriquecido ainda mais pela tentativa — apesar de fraca — de Yelchin se assemelhar com o Kyle Reese original de Michael Biehn.
E o personagem novo dessa vez se revela Marcus Wright, interpretado pelo britânico Sam Worthington (que viria a protagonizar Avatar — também lançado em 2009 — de James Cameron). De relevância a trama o personagem não tem nada a oferecer, se destaca bastante do tom do filme e se torna inútil e desnecessário ao desenrolar da trama e a atuação de Worthington, que apenas reprisa a si mesmo, não colabora em nada.
Fora velhos personagens que voltam repaginados nesse filme há uma cena completamente nostálgico no terceiro ato do filme, contando com a presença ilustre de um dos maiores ícones da franquia e com a trilha sonora original do filme — e essa pode ser uma das únicas partes na qual o fã dos filmes de Cameron pode se emocionar.
E apesar de tudo o roteiro é mais uma vez reciclagem do Julgamento Final. Segue a mesma linha estrutural para a sua narração e talvez o ponto alto seja os encaixes cronológicos que o filme faz quanto aos acontecimento dos seus antecessores.
Sendo assim, Exterminador do Futuro — A Salvação é bom... se tratando do gênero ação. Para o fã mais saudoso se torna mais uma continuação desnecessária que só serve para, afinal, arrancar nossos dinheiros.
Nota: 5.9/10