Lembro-me durante o curso da minha faculdade de Letras, estudar a obra de George Wells e, principalmente, seu romance "Guerra dos Mundos". Lembro da bizarra história de uma emissora de rádio que causou pânico em toda uma população local de uma cidade estrangeira, ao ler o romance ao vivo na rádio, como se fosse uma descrição real de uma invasão alienígena. Isso era o poder de uma obra bem feita, ela te convencia a acreditar naquilo. Quando fui assistir a essa versão do filme com o astro Tom Cruise, meu maior medo era que toda essa história ficasse apagada, devido a importância da ação em um filme blockbuster. Felizmente estava enganado. Eu adorei o filme.
Basicamente, a trama se trata de
um pai (Tom Cruise) descobrindo uma invasão alienígena em seu planeta e tendo que fazer de tudo para cuidar de seus dois filhos, mesmo que a relação entre eles esteja completamente complicada e tensa
.
É sempre interessante (e preocupante também), quando temos alguma relação afetiva como foco de uma história de ameaça maior. Um clássico exemplo é o premiado Titanic onde a paixão de Jack e Rose ofusca quase por completo o evento principal, que era o naufrágio do transatlântico. Aqui em Guerra dos Mundos, o foco também é na relação da família, enquanto tentam escapar do ataque alienígena, mas o que mais gostei é que, nesse caso, faz sentido toda essa atenção. Desenvolver vários personagens diferentes num filme corrido como esse, seria estranho e não focar em ninguém seria mais estranho ainda. Dessa forma, escolher uma família deixa tudo mais dramático pois você consegue se envolver mais com cada um deles.
A atuação de Tom Cruise é boa, podemos perceber que ele realmente expressa a preocupação de pai e a frustração de não conseguir tudo que planeja. No entanto ela não é perfeita e muitas vezes ele parece mais um personagem de filmes de ação, fazendo coisas impossíveis para um pai de família (mas nada que diminua o filme
Os alienígenas são interessantes visualmente e remetem bem a descrição da obra original. Os efeitos especiais também são bons e o destaque fica para a destruição da cidade e para o efeito de evaporação que o raio dos alienígenas causa nos humanos.
Se tem, porém, uma coisa que eu não senti tanto no filme, foi a urgência da situação, a escala global que uma invasão alienígena teria se fosse de verdade. Talvez pelo filme focar demais na relação da família do protagonista, não temos uma noção do que realmente acontece quando aqueles seres gigantes começam seu ataque. Felizmente, dentro do que é mostrado, tudo é muito bem executado e o final do filme, ainda que polêmicos para uns, é o final mais acertado que poderia existir.
As defesas da nossa natureza se encarregaram do que o homem não conseguiu destruir.