Crash - No Limite
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SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR

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2,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
O diretor canadense Paul Haggis conseguiu juntar um elenco estelar para contar a saga das relações interpessoais e interraciais na cidade de Los Angeles: Sandra Bullock, Brendan Fraser, Ryan Phillipe, Thandie Newton, Don Cheadle e Matt Damon, entre outros. A sociedade norte-americana é multi-racial. Lá, como em qualquer país do primeiro mundo, um número enorme de emigrantes do terceiro mundo: mexicanos, salvadorenhos, iranianos, cambodjanos, chineses, etc. As colisões (crashes) são metáforas de como as diferentes raças e/ou pessoas interagem numa Los Angeles que superficialmente representa o ápice da democracia étnica, mas no fundo está longe de sê-lo. São esses emigrantes que ajudaram e ajudam a construir os EUA, porém, eles via de regra são vítimas de uma xenofobia da população branca, anglo-saxã e protestante. Até mesmo emigrantes de diferentes países se degladiam e são xenófobos em relaçãos aos demais, como se só dessa maneira a sua cultura pudesse se afirmar no território norte-americano. São inúmeros personagens em diversas situações (o policial negro cujo irmão é um infrator; o chefe da polícia de Los Angeles que tem seu carro roubado por dois negros; o comerciante iraniano que contrata os serviços do chaveiro mexicano; o policial branco, cujo pai sempre ajudou os negros e acabou falindo, que aborda um casal negro de classe média alta e extrapola na abordagem da mulher). No grand finale as tramas irão se encaixar tal e qual um quebra-cabeça. Qualquer semelhança com o filme "MAGNOLIA", de Paul Thomas Anderson, não é mera coincidência. A maior virtude de Paul Haggis é a de mostrar personagens de verdade, de carne e osso, cheio de idiossincrasias, como todos nós seres humanos. Não é aquela coisa dialética de mocinhos de um lado e bandidos de outro. E mesmo aquele policial racista é capaz de um ato nobre como o de salvar a mulher negra num acidente de carro. A trilha sonora de Mark Isham é brilhante. Não estamos diante de um "blockbuster" de férias, mas sim diante de uma película que complexa, capaz de demonstrar preconceitos que ilusoriamente pensamos que já não mais existem, continuam vivos e fortes nas entranhas humanas.
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