Totalmente Horrível:
1. A "vingança por fofoca" que não se sustenta
O protagonista viu o vilão com a irmã em uma situação sexual (ele literalmente lambe os seios dela) e comentou com um amigo. Isso causou a ruína da garota, que acabou se "suicidando" por vergonha.
Ou seja, o vilão não foi injustiçado. Ele estava de fato cometendo um ato incestuoso, não era uma mentira, nem calúnia, nem uma acusação falsa. Ele só não queria que ninguém soubesse — e por isso destruiu a vida de um inocente.
Isso não é tragédia. É burrice maquiada de drama épico.
2. A “vingança poética” é só uma perversão elaborada
Fazer o pai transar com a própria filha sem saber quem ela é não tem absolutamente nada a ver com justiça ou equilíbrio. Não existe simetria entre os atos. A punição é completamente fora de escala — é pura perversão disfarçada de lição moral.
É como se o vilão dissesse: “você destruiu minha vida (na verdade, eu mesmo fiz isso), então agora vou destruir a sua — e ainda vou me masturbar emocionalmente vendo você sofrer”.
3. O roteiro não condena o vilão — o eleva
Esse talvez seja o ponto mais problemático: o roteiro constrói o vilão como alguém genial, frio, elegante, poderoso, que manipula tudo e todos como um deus. Ele não é desmascarado, não é vencido por sua arrogância, não é punido por seus próprios erros.
Ele se mata por escolha própria, com um sorriso no rosto, após completar seu plano como se fosse um artista concluindo uma obra.
Isso passa uma mensagem doentia: que a vingança, mesmo baseada em delírios ou tabus, pode ser bela e bem-sucedida — se você for inteligente o suficiente.
4. O final é a glorificação do trauma mal resolvido
O protagonista termina hipnotizado, ao lado da própria filha, fingindo que nada aconteceu. A garota nunca descobre a verdade, e o ciclo de ignorância continua. Não há redenção. Não há transformação. Há apenas estagnação mascarada de encerramento artístico.
Conclusão
No fundo, a “vingança” de Oldboy é o capricho sádico de um pervertido narcisista, e não uma narrativa de justiça, redenção ou superação. O protagonista é só um rato num labirinto feito para que o vilão se sentisse Deus — e o filme, por alguma razão, trata isso como “arte sublime”.
É isso que choca: não o incesto em si, mas o quanto o filme tenta dar um verniz de beleza e profundidade a algo essencialmente doentio e gratuito.