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Francisco Russo
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687 críticas
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2,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Um exercício de direção para Gus Van Sant. Assim é "Elefante", que rendeu ao diretor a consagrada Palma de Ouro no Festival de Cannes. O longa-metragem é uma coletânea de imagens muito bem cuidada por Van Sant, de forma a que possa experimentar enquadramentos da câmera e formatos para a história que não são muito usuais no cinemão hollywoodiano. Até certo ponto o formato como a história é narrada, sempre pausadamente, lembra um pouco "Solaris", a recente refilmagem de Steven Soderbergh. Entretanto não há muito o que comentar de "Elefante" a não ser a bela direção de Gus Van Sant. A história é um fiapo extendido ao máximo, narrando eventos muito parecidos com os ocorridos na escola americana de Columbine. Há na verdade um grande truque do diretor, ao qual a reação do público acaba sendo determinante para gostar ou não do filme. Explico. Durante pouco mais da metade do filme Gus Van Sant apresenta ao público diversos personagens, todos estudantes comuns de uma escola qualquer. Através destas pequenas histórias passamos a nos interessar por aquelas pessoas, além de sermos situados no tempo dos acontecimentos, já que por diversas vezes uma mesma cena é exibida só que através da ótica de outra pessoa. O painel de todas estas óticas forma o panorama do momento: uma escola normal, com estudantes normais com seus interesses de adolescentes, em um dia absolutamente igual a todos os demais. A partir do momento em que dois adolescentes entram na escola com metralhadoras é que ocorre o truque de Gus Van Sant, em relação aos personagens apresentados na metade inicial do filme. O modo como se lida com tais personagens, e com a própria história daquele instante em diante, é inesperado e foge do padrão hollywoodiano, onde tudo sempre é explicado e tem início, meio e fim. O final do filme pode inclusive provocar reações dúbias, de apoio e desagravo. Para quem gosta de ser surpreendido, como eu, trata-se de um bom filme, cujo formato e direção é o que há de mais interessante. Mas para um ganhador da Palma de Ouro esperava mais.
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