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Adriano Côrtes Santos
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1.229 críticas
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4,0
Enviada em 23 de fevereiro de 2019
Primeiro filme de Pedro Almodóvar a deixar a zona de conforto dos premiados Tudo Sobre Minha Mãe e Fale Com Ela. Em Má Educação, se radicaliza com uma história bem pessimista sobre padres pedófilos, chantagens, explorações sexuais, etc. O longa tem uma estrutura narrativa não linear, contendo retrospectivas e narradores múltiplos. Um velho amigo entrega ao cineasta Enrique Goded (Fele Martínez) um roteiro baseado na adolescência dos dois, Enrique é obrigado a reviver sua juventude em um internato católico. Pedro Almodóvar desenvolve Má Educação em dois níveis: o filme, e o filme dentro do filme. Esse jogo de duplos em que tudo se mistura para depois ser desvendado, traz a investigação do cinema policial e o processo de criação artística do cineasta, do sujeito que cria história e fala de si mesmo. O resultado da paixão de Almodóvar por suas obras cria mais um dos seus ótimos filmes com elementos íntimos do diretor, mas não é uma autobiografia. Adendo: memorável a atuação do travesti (Gael García Bernal).
Meu segundo filme favorito do Almodóvar. Poucas vezes ele conseguiu atingir o que sempre tentou, e nesse filme foi uma delas. Uma profusão de histórias envolventes, sensuais, sexuais, comportamentais, relacionamentos pessoais ou não, tudo isso colocado em tela, sem pudores, sem medo, no melhor estilo de seu diretor. E que atores! Estão todos magníficos. É bom também salientar a fotografia do filme, cuidadosamente manipulada pra criar, quadro a quadro, cenas plasticamente lindíssimas graças à mise-en-scene espetacular do cineasta. E poucas vezes uma frase final foi tão misteriosamente enigmática e reveladora ao mesmo tempo, e embora Almodóvar negar, fica a dúvida: até que ponto essa história poderia ser auto-biográfica?
Almodóvar sempre Almodóvar consegue reunião de forma genial, talentosa e única em um filme crítica a igreja católica, homossexualismo, chantagem, abusos sexuais, fazendo uma bela homenagem ao cinema noir . Os atores estão excelentes,, uma fotografia deslumbrante (cores de Almodóvar), enfim mais uma surpreendente e impecável história do grande Pedro Almodóvar. História que te prende do início ao fim com um belo roteiro muito bem desenvolvido. RECOMENDO!!!
Em um só filme, Almodovar apresenta vários filmes com uma técnica absoluta e precisa, homenageando o cinema, em especial o gênero noir, sem deixar de lado sua assinatura. Também consegue criticar a moral da igreja católica e seus métodos, retratar as consequências do abuso físico e emocional, e mesmo nesse limbo, consegue humanizar e expor o lado belo e apaixonante da homossexualidade.
Não é o melhor filme de Almodóvar, ficando atrás de Fale com ela e Volver, por exemplo. Mas contém todos os elementos usuais do diretor, o que o torna um bom filme.
Almodóvar é mágico! Filme excelente, história sensível e profunda! Gabriel Garcia numa brilhante interpretação! Filme antigo, mas, revendo-o agora em 2020, é possível perceber que muita coisa não mudou ainda.
o diretor Pedro Almodóvar possui um estilo muito característico e é fácil (até para os mais leigos) reconhecem sua assinatura em seus filmes. este não é diferente. não quero falar mais do mesmo (cenas coloridas, exploração da sexualidade, ironias e paradoxos, coincidências). Mas acho neste filme, concordo com a opinião de que ele trabalha de forma muito interessante o tema paixão e as várias formas que ela pode se manifestar (boas ou não). no que tange a evolução do filme, acho que a única crítica para mim foi que o desenrolar teve muito bom trabalho, mas o desfecho foi rápido demais.
Primeiro filme do Almodóvar que assisto, confesso que atéo meio do filme, o exagero e o impacto de algumas cenas não estavam me agradando, mas a atuação do Gael já tinha prendido totalmente minha atenção. Ao dar suas reviravoltas o filme já foi me consquitando ee dai pro final, fquei só admirando espetáculo, de cores e belas atuações. O filme é realmente um choque,muito bom .
"Má educação", de Pedro Almodóvar, pode ser encontrado na videolocadora de sua preferência. O enfant terrible do cinema espanhol volta a chocar e a visitar a alma feminina. Mesmo que isso se dê através de personagens masculinos. Ao que parece há um tom autobiográfico, o que fica quase explícito através do personagem Enrique Goded (Fele Martinez), um jovem diretor de cinema que vive uma crise criativa. Aliás, a escolha do nome Goded deve ser uma homenagem a Godard, o famoso diretor francês. Há uma mostra de "film noir", que o sr. Berenguer (Lluís Homar) e Angel (Gael Garcia Bernal), vão assistir numa certa altura do filme. As referências aos franceses não são tão poucas assim. Voltando ao enredo, o diretor Goded recebe a visita inesperada de um antigo colega de escola jesuíta, Ignacio, que agora prefere ser chamado de Angel. Ele é ator, protagonizou grandes personagens no teatro, com o grupo Besouro, e, o que é mais importante, trouxe uma espécie de roteiro cinematográfico chamado de "A visita", que retrata os anos de infância e adolescência. A princípio Goded não se mostrou muito interessado, porém, ao ler "A visita" relembra o seu passado, além de ver todo o potencial cinematográfico que o roteiro oferece. Dois alunos de um colégio jesuíta, Goded e Ignacio, se apaixonam na época da escola. O padre Manolo (Daniel Gimenez Cacho) decide pela expulsão de Ignacio da escola, pois ele nutria uma paixão por Ignacio. Este era um garoto que se sobressaia em relação aos demais por cantar como um anjo. Anos mais tarde Ignacio se torna um travesti viciado em drogas injetáveis, que vê como a única solução para os seus problemas financeiros chantagear os padres da sua antiga escola. Eis que o chantageado, um ex-padre, agora casado, "homem honrado e de família", é o sr. Berenguer, que acaba se apaixonando pelo irmão de Ignacio. Pelo número de vezes que eu escrevi a palavra paixão, é fácil perceber que este é o tema central do filme. Não importa se ela é homossexual, se é a atração pedófila de padres por crianças, se é a paixão de um cineasta pela sua arte. É essa a força motriz do cinema de Pedro Almodóvar, ou seria Enrique Goded? Está longe de ser a mais seminal obra do diretor (Fale come ela; A flor do meu segredo; Tudo sobre minha mãe são filmes muito superiores a este "Má educação", que retrata a sua geração, fortemente reprimida pelos padres educadores. As cenas de sexo entre os protagonistas devem gerar um certo grau de desconforto para muita gente. A atuação de Gael Garcia Bernal é espetacular, principalmente quando vivencia o travesti Zahara. Não podemos esquecer a atuação de Lluís Homar. Não confundam querer chocar, que não é o objetivo de Almodóvar atualmente, com mostrar as origens de nossas paixões, este sim seu alvo final.
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